CIDADES

Delegado é afastado por suspeita de receber propina

| RENAULT 34 | Conforme investigação do MPCE, o titular do 34º DP, Romério Almeida, teria recebido R$ 1.500 de um advogado para liberar carro de membro do PCC
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Interceptação telefônica da conversa entre um criminoso e um advogado resultou no afastamento do delegado Romério Almeida, titular do 34º Distrito Policial, por 60 dias. Suspeito de corrupção passiva, Romério é investigado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por suposto recebimento de propina para liberar um veículo apreendido em operação policial.


Conforme o promotor Nelson Gesteira, o valor de R$ 1.500 teria sido entregue ao delegado pelo advogado Hélio Nogueira Bernadino, em benefício do detento Anderson Rodrigues da Costa, acusado de tráfico, condenado por roubo e membro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos são suspeitos de corrupção ativa no caso.


Os três foram alvos da operação Renault 34, deflagrada na manhã de ontem pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) do MPCE, em parceria com Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado (CGD).


O promotor ressalta, contudo, que os indícios da prática de crimes foram coletados ainda em janeiro de 2016, durante operação anterior, a Saratoga, também do MPCE, que investigava a atuação do PCC no Ceará. “O Anderson é traficante. Estava sob investigação, sob escuta autorizada pela Justiça, e por isso foi flagrada toda essa situação”, conta Gesteira.


A apuração em questão era tocada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Como membro do PCC, Anderson estava na relação de escutas dos promotores e foi gravado enquanto combinava a entrega de 3 kg de cocaína, na comunidade do Morro do Ouro, no bairro Jacarecanga.


Uma equipe de policiais militares foi enviada ao local para fazer a abordagem em flagrante. Porém, ao perceber a aproximação dos PMs, Anderson arrancou com o carro, um Renault, de cor preta. O suspeito entrou na comunidade em alta velocidade, subiu a calçada, estourou o pneu, trocou tiro com os policiais, se desfez da droga e fugiu.


“Está tudo na escuta. Ele conta a história toda, como é que foi”, descreve Nelson. O veículo foi apreendido e motivou o nome da operação, além do 34, referente ao distrito policial.


Já na avenida Francisco Sá, Anderson teria apanhado um táxi e se dirigido à Maraponga, onde morava. De lá, ligou para o advogado, tentando reaver o veículo. “No telefonema, o Bernadino mandou que ele passasse em frente ao 34º DP e observasse, pois se o carro estivesse lá, ele resolveria”, diz o promotor. E assim Anderson teria feito. Após a confirmação, nova intercepção foi registrada.


“O Anderson negocia com o advogado a liberação do carro. O doutor Bernadino foi até a delegacia. Não temos a interceptação do advogado com o delegado, mas o fato é que o advogado diz que eram R$ 1.500 para ele e R$ 1.500 para o Romério, para entregar o carro”, completa.


Ainda segundo o promotor, o carro foi entregue sem que as “cautelas de veiculo” fossem respeitadas, pois o automóvel, que não estaria no nome de Anderson, teria sido entregue a “alguém que não era parente do proprietário, não tinha vinculação, recibo de compra e venda, transferência assinada, procuração em cartório, nada. Chama-se a ausência de legitimidade de quem requereu a liberação do veículo. A história fecha”, concluiu.

 

Justiça expediu mandado


Os mandados de afastamento e de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz titular da 8ª Vara Criminal de Fortaleza, Henrique Granja.

 

NOTA DA CGD


SOBRE A OPERAÇÃO


BUSCAS


Pela manhã, duas equipes da Delegacia de Assuntos Internos (DAI) da CGD realizaram uma ação de correição no 34º DP, com a análise minuciosa de documentos e procedimentos realizados na unidade, para verificar indícios de crimes.

 

ACORDO


Em nota, a CGD informou que a ação conjunta com o MPCE decorre do Termo de Cooperação Técnica, assinado em dezembro de 2017, que também permitiu a realização da operação Masmorras Abertas, no último dia 16, em combate a suposto esquema de corrupção entre agentes penitenciários ligados à cúpula da Secretaria da Justiça. Porém, as operações não teriam vinculação.

 

MEDIDAS


A CGD também instaurou um procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do delegado.

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