CIDADES

Delegado passa por reconstrução do maxilar e tem balas alojadas

| RENAULT 34 | Romério Almeida estava afastado das funções de titular do 34º Distrito Policial desde quarta-feira, por determinação do juiz da 8ª Vara Criminal
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O delegado Romério Moreira de Almeida deverá ser novamente avaliado hoje por uma junta médica, que decidirá sobre as cirurgias para reconstrução do maxilar e para retirada de projéteis que ficaram alojados em seu corpo. Ontem à tarde, ele foi transferido da emergência do Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro, para o Hospital São Camilo, na Aldeota. No dia anterior, o delegado fora afastado por 60 dias das funções de titular do 34º Distrito Policial (Centro), suspeito de ter praticado corrupção passiva.

[SAIBAMAIS] 

Ontem, por volta de dez horas, em seu apartamento no bairro Dionísio Torres, Almeida havia disparado duas vezes contra si — no ouvido direito e no peito, lado esquerdo. Logo após a notícia se espalhar pelas redes sociais, uma grande concentração de policiais civis e militares se formou no pátio de entrada de ambulâncias e na sala de emergência do IJF. A mulher, a filha e o filho, também delegado, acompanharam o atendimento e não se manifestaram à imprensa.

 

Na manhã de quarta-feira, 25, Almeida foi um dos alvos da operação “Renault 34”, realizada por Ministério Público do Ceará (MPCE) e Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). A ordem de afastamento foi do juiz da 8ª Vara Criminal, Henrique Jorge Granja de Castro. Também houve busca e apreensão na delegacia e no apartamento de Romério Almeida.

 

Investigação aponta que o delegado teria favorecido um traficante na liberação de um veículo apreendido em 2016. Em troca, teria recebido R$ 1.500. Anderson Rodrigues da Costa hoje é detento em penitenciária de Caucaia (Carrapicho), condenado por roubo, acusado de tráfico e membro de facção. O advogado Hélio Nogueira Bernardino teria sido o intermediário da suposta propina. Entre as possíveis provas estariam interceptações telefônicas obtidas pelo MPCE.


Logo após a ocorrência, o delegado chegou a ser levado para o hospital Gastroclínica, por ser o mais próximo de sua residência. Estava acordado. Na remoção para o IJF, continuava consciente e falando. “Quando chegamos, ele estava entre 14 e 15 na escala de Glasgow (que mede a condição neurológica após o traumatismo craniano), que vai de um a 15. Estava bem”, contou a enfermeira Marta Vânia, do Samu, que o atendeu na transferência de ambulância.


Os disparos foram com pistola calibre 6.35, um dos menores existentes. Os projéteis não alcançaram partes vitais. O POVO apurou que houve pequena lesão na parte posterior do crânio e fraturas na face. Foi feita drenagem no tórax. Após a remoção no meio da tarde para o hospital particular, o quadro médico do delegado permanecia estável, sem risco de morte.


O delegado geral de Polícia Civil, Everardo Lima da Silva, acompanhou o atendimento de Romério Almeida no IJF. O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, não esteve no hospital. A assessoria de imprensa da SSPDS disse que ele não iria se manifestar. Em nota, a Polícia Civil informou que iria apurar “as circunstâncias da ocorrência”.

 

CONVERSA ANTES DE EXAMES

Pouco antes do exame de tomografia do crânio, Romério Almeida ainda conversava com colegas delegados. Um sobrinho dele, médico, acompanhou o atendimento nos hospitais.

PORTARIA FICOU CHEIA

Romério Almeida
foi transferido para o IJF pouco antes das 11 horas. Houve aglomeração de policiais civis e militares na portaria e perto do corredor de emergência do hospital.

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