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Virgínia Fukuda: Cinema regado a café
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Virgínia Fukuda: Cinema regado a café

Dragão do Mar
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Fortaleza, Ceará Brasil 09.04.2020  Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura fechado por decreto estadual para combate à epidemia do covid-19  (Fco Fontenele/O POVO) FOR 13.04 (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Fortaleza, Ceará Brasil 09.04.2020 Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura fechado por decreto estadual para combate à epidemia do covid-19 (Fco Fontenele/O POVO) FOR 13.04

Em tempos de Covid-19, o atendimento ao 'fique em casa' me levou a buscar atividades dentro do espaço do lar. Então, haja ler, bordar, assistir a filmes, testar novas receitas, conversar com amigos a viva voz. Mas bom mesmo era estar na livraria a folhear novos títulos, bordar com os companheiros do grupo Café com Bordados, provar os pratos do mais novo bistrô ou conversar com os amigos, olho-no-olho, na mesa de um café…

Saudades mesmo tenho do cinema do Centro Dragão do Mar, com sua programação atualizada, a conversa com os amigos logo após a sessão, sempre regada a um bom café. E estar no Centro Dragão do Mar era também poder desfrutar das exposições dos museus, conferir as novidades na feirinha de artesanato, levar o neto Lucas, 4 anos, ao teatro.

Passeamos muitas vezes, Lucas e eu, pela Cidade. Ouvimos a Orquestra Contemporânea Brasileira no Cineteatro São Luiz, assistimos a espetáculos e peças. Quando vamos ao Espaço Cultural da Unifor, tão grande é o acervo, visitamos as exposições por partes. Em uma manhã vemos uma coisa; em outro dia, voltamos e vemos outra.

Particularmente, o balé do Grupo Edisca, na Caixa Cultural de Fortaleza, despertou a atenção dele. Muito atento — não sei se por hábito, não sei se por gosto —, ele se encanta, se interessa, pergunta muito e tem até críticas a fazer. Isso me estimula a levá-lo comigo.

Que o fim da pandemia traga de volta a intensa programação cultural desta Cidade, pois dela nos alimentamos e com ela nos humanizamos. Acredito que vai demorar muito para as coisas reorganizarem-se e para voltarem aos eixos, assim como para as pessoas acostumarem-se a essa nova realidade depois de um trauma, digamos assim, tão forte, como o confinamento e a própria pandemia.

Não sei como será a reação das pessoas, mas acho que eu mesma irei com muita sede ao pote. Serão meses de quarentena, de jejum cultural. Acredito que eu vou voltar com muita vontade de ver e viver tudo isso novamente. Talvez, veja com outros olhos, olhos de quem ficou na abstinência. Vão ser olhos mais despertos, mais atentos, eu espero.

 

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