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Particulares querem retorno das aulas na segunda, 3; Conselho de Educação pede bom senso

Plano de retorno das aulas presenciais segue em elaboração pela Secretaria da Educação do Estado
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CARLOS VELASSO: filha fica com avós, que são de grupo de risco (Foto: Deisa Garcêz/Especial para O Povo)
Foto: Deisa Garcêz/Especial para O Povo CARLOS VELASSO: filha fica com avós, que são de grupo de risco

A expectativa do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe-CE) é de que parte das aulas presenciais retornem na próxima segunda-feira, 3. De acordo com a presidente da entidade, Andréa Nogueira, as instituições estão aptas a receber o aluno desde 20 de julho, primeira data posta como retorno, mas negada pelo Governo do Estado. A expectativa da representante é de que a retomada seja dividida em três etapas, cada qual com intervalo de sete dias.

Ela detalha que primeiro as turmas de ensino infantil e algumas da segunda etapa do ensino fundamental voltariam a frequentar as escolas. Na fase seguinte, o restante das séries do fundamental e as escolas profissionalizantes. Na terceira, os estudantes do ensino médio e os universitários. A divisão, afirma Andréa, segue plano estudado pelo próprio Estado.

"A sugestão do intervalo de sete dias foi da rede privada. Alguns órgãos presentes sugeriram o intervalo de 14 dias. Mas a gente não está tratando mais de fases. Estamos falando sobre o faseamento de etapas dentro da quarta fase. Inclusive foi respaldado por secretários do governo do Estado", comenta.

Conforme a presidente do Sinepe-CE, há três perfis de responsáveis que desejam o retorno do ensino presencial neste momento: aqueles que já retomaram o trabalho, os da educação infantil, "que viram que os filhos não têm a mesma autonomia nas aulas", e quem enfrenta problemas em casa com alunos adolescentes.

"Nós estamos oferecendo ensino híbrido. Mas o pai tem o livre-arbítrio de querer que os filhos continuem nas aulas online ou retomem as atividades presenciais. Existem muitos que precisam do retorno. Nós queremos oportunizar a família de escolha", defende. Nesta semana, o sindicato lançou a campanha "Pelo direito de escolher", como forma de pressionar a liberação por parte do governo estadual.

Cética quanto ao retorno neste momento, a vice-presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), professora Lúcia Veras, frisa que o momento é de preservar vidas. Para ela, é difícil antecipar a volta das escolas privadas em relação às públicas. Ela pontua ainda que sempre as instituições desejaram a participação mais ativa das famílias na vida escolar do filho. Principalmente, neste momento de aulas remotas. "Sem eles, nós não conseguiremos manter as atividades dos alunos". 

A professora espera que a estratégia seja construída com os responsáveis e com a comunidade escolar para que o retorno seja o mais tranquilo e consciente possível. "A interrupção das aulas gerou muitos problemas para toda a cadeia produtiva e pela questão educacional. Muitas vezes não tem com quem deixar os filhos, por exemplo. Porém, é um transtorno ocasionado por conta da pandemia. O interesse maior dos pais deve ser preservar a vida. A aprendizagem, a gente recupera. Querer voltar agora depende da autorização sanitária", afirma.

Em 22 de julho, o CEE emitiu parecer com orientações às instituições de ensino a darem continuidade às aulas remotas até 31 de dezembro de 2020. O documento Nº 205/2020 é direcionado à Educação Básica, à Educação Profissional Técnica de Nível Médio e à Educação Superior.

Além disso, Lúcia acrescenta a necessidade de conhecer a realidade de outros municípios, que passam por momentos epidemiológicos distintos do de Fortaleza. "O bom senso deverá prevalecer. Nos comitês instalados há discussão sobre o retorno com a participação deles." A vice-presidente do CEE destaca que o Estado do Ceará tem agido com sensibilidade e sensatez.

 

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