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No mesmo ritmo, número dobra em poucos meses

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Se a tendência de disseminação da Covid-19 e, sobretudo, as ações de enfrentamento continuarem no mesmo patamar, o número de óbitos pode chegar a 200 mil nos próximos meses, apontam pesquisadores. “A pergunta é: quando vamos chegar em 200 mil óbitos? Se continuar do jeito que está, vamos atingir no começo de outubro. Fomos um dos únicos países que começou o processo de abertura com o número de casos crescendo”, projeta Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Covid-19 Brasil.

Ele avalia que se as atividades em escolas na maioria dos estados voltarem, o número pode ser antecipado até em um mês. “Único país do mundo com ministro (da Saúde) interino que é fixo e com equipe da (pasta da) Saúde sem ninguém especialista em saúde, isso é sui generis”, critica, sobre a gestão nacional.

O epidemiologista Bruno Pereira Nunes, pesquisador e professor do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), concorda que esse número de mortes vai aumentar, “principalmente se nada for feito”. “Algumas coisas poderiam ter sido feitas e não foram feitas. Mas a gente tem um tempo de fazer medidas para evitar que epidemia avance mais ainda, principalmente agora nas regiões Sul, Centro-Oeste e alguns do Sudeste”, considera.

Guilherme Werneck, vice-presidente da Abrasco e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), afirma que o Brasil “ainda vai experimentar uma quantidade de casos e óbitos muito grande ao longo dos próximos três meses”. “Não me surpreenderia se a gente chegasse a novembro com 150 mil óbitos ou mais. A pergunta é se a gente vai diminuir a taxa de transmissão”, estima.

As oportunidades que o País ainda tem são fortalecer as estratégias de controle não farmacológico, como afastamento social, uso de máscara e a atenção para uma abertura de forma paulatina. “Precisa de um plano bem estruturado com base em informações epidemiológicas boas e com participação da população. A gente pode frear um pouco. Muito importante nesse momento aumentar a vigilância de casos e contatos, a capacidade de diagnóstico para que as pessoas sejam identificadas e isoladas”, explica.

Segundo a infectologista Evelyne Girão, coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São José e integrante do coletivo Rebento – Em defesa da Ética, da Ciência e do SUS, o risco ainda é grande. “No Nordeste, poderemos ainda ter um segundo pico devido à quebra das medidas de isolamento social podendo-se incorrer numa segunda onda de casos e mortalidade. Infelizmente, a exemplo do que vimos nos Estados Unidos. Por exemplo, neste mês eles tiveram um expressivo aumento do número de casos assemelhando-se ao padrão do início da pandemia”, compara.

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