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Ressignificar a perda e encarar o novo

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Lisandra Simplício, 24, que perdeu o tio brincalhão na pandemia (Foto: Deisa Garcêz/Especial para O Povo)
Foto: Deisa Garcêz/Especial para O Povo Lisandra Simplício, 24, que perdeu o tio brincalhão na pandemia

A pandemia do novo coronavírus trouxe consequências que podem demorar tempo para serem superadas. Na família da estudante Lisandra Simplício, 24, a doença chegou sem avisar, assim como em muitas outras no país e no mundo. Vítima da Covid-19, seu tio Gerônimo Costa, 64, faleceu há três meses, no dia 4 de maio de 2020, quando o Ceará registrava 11.142 casos confirmados e 732 óbitos pela doença no Estado.

A família de Lisandra se viu diante de um novo cotidiano após a morte do seu tio. Em casa, o aposentado compartilhava o teto com esposa e netas. De acordo com a estudante, financeiramente a situação não ficou tão complicada. Foi possível se reestruturar após a transferência da aposentadoria dele para esposa Rosa Barbosa. A esposa é diarista e uma das netas ajuda como babá nas despesas diárias. Assim, a família vai encarando a nova realidade.

Hoje, a família não conta mais com alegria do aposentado torcedor do Ceará, que alegrava parentes e vizinhos. “Ele era o mais brincalhão, o que mais fazia palhaçada quando a gente tinha reuniões de família, mas também era a pessoa mais protetora com todo mundo”, relata a estudante.

Com a partida do seu tio, Lisandra Simplício ver com mais detalhes o que antes não via. “A gente começa a dar mais atenção a detalhes, a querer ficar mais perto da nossa família, falar um “eu te amo” e dizer o quanto essa pessoa é importante pra gente”, pontua.

O aposentado deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), localizada na comunidade do Dendê, no bairro Edson Queiroz, no dia 3 de maio de 2020. Um dos 11 filhos da dona Maria Guiomar, ele deixou esposa, sobrinhas e netas que não tiveram a chance se despedir. “Em menos de 24 horas que ele foi internado ele faleceu. O nosso refúgio é tentar se unir, pois o momento ainda é muito dolorido, mas a gente tenta ressignificar essa dor”, informa a estudante. (Mirla Nobre/Especial para o POVO)

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