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Diversidade de conjunturas e ausência de um protocolo 100% seguro impactam decisões

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AULAS remotas: alternativa diante do isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus (BARBARA MOIRA/ O POVO) (Foto: Barbara Moira)
Foto: Barbara Moira AULAS remotas: alternativa diante do isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus (BARBARA MOIRA/ O POVO)

"Já temos 8 mil mortos no Ceará. E se isso acontecer na volta às aulas, quem será responsabilizado? A escola? O governo? Os pais? Ou trataremos como um acidente algo extremamente previsível?", questiona Thereza Magalhães, professora de enfermagem, membro do Grupo de Trabalho para enfrentamento à pandemia do coronavírus da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e mãe de duas meninas. Ela pondera que em aulas online não há o mesmo nível de interação ou de aprendizado se comparado à forma presencial, mas "sem vacina, fica muito difícil qualquer controle na escola".

A professora lembra que múltiplos perfis estarão convivendo no mesmo ambiente em caso de volta do ensino presencial, o que potencializa os riscos. "Estarão em contato tanto quem teve a doença e formou imunoglobulinas de memória, quanto quem não formou, quem não teve a doença e até quem está com a infecção, mas é assintomático." Para ela, a testagem frequente de professores, funcionários e estudantes não garante segurança. "O resultado do teste representa apenas a situação no momento exato do teste; meia hora depois, eu posso ter contato com uma pessoa contaminada e pegar o vírus."

De acordo com dados do IntegraSUS, até as 10h24min de ontem, 12, foram registrados 3.723 casos de Covid-19 em estudantes cearenses. Destes, quatro morreram e 3.451 estão recuperados. Outros 2.507 casos em alunos estão em investigação. Aqueles entre os 15 e os 19 anos são grupo que concentra a maior parte dos casos, são 2.411 nessa faixa etária.

Segundo a epidemiologista Lígia Kerr, os riscos são para crianças pois podem desenvolver a Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica, que tem 41 casos registrados no Ceará, e também para os funcionários das escolas e familiares. "Para além da sala de aula, existe toda uma rede escolar. Sejam as famílias e quem trabalha nos colégios, mas também quem está no caminho de casa para escola", analisa. "Muitos pais precisam dos serviços de vans e crianças mais velhas até vão sozinhas. Como saber e controlar o que acontece?"

Outra questão levantada por Lígia é o universo ainda desconhecido da Covid-19. "Temos pesquisadores tentando entender, por exemplo, porque Fortaleza não teve alta de casos depois da reabertura. Existem pessoas mais protegidas? Existem sintomas e consequências que ainda não sabemos?" Diante disso, a epidemiologista, que é também mãe de duas meninas, acredita que o caminho depende de aprender com experiências exitosas e fracassadas de outros países, além de buscar procedimentos de segurança que levem em conta a diversidade de condições das famílias e das escolas.

 

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