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Baixa percepção de risco afasta população das vacinas, aponta Unicef

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A tríplice viral deve ser administrada em duas doses, sendo a primeira aos 12 meses e a segunda entre 15 e 24 meses (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil A tríplice viral deve ser administrada em duas doses, sendo a primeira aos 12 meses e a segunda entre 15 e 24 meses

Uma pesquisa conduzida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em cinco capitais brasileiras aponta que a baixa percepção de risco das doenças imunopreveníveis, a dificuldade de acessar o serviço de vacinação no horário de atendimento e o medo de reações adversas são elementos mais importantes do que as fake news para afastar as pessoas da vacinação.

Os resultados foram apresentados no último sábado, 17, pela chefe de saúde e HIV do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque, na Jornada Nacional de Imunizações, realizada via internet pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A pesquisa ouviu cerca de 100 participantes em 10 grupos focais compostos por famílias de Curitiba, Goiânia, Rio de Janeiro, São Luís e Belém. Em cada capital, foi ouvido um grupo totalmente favorável às vacinas e outro total ou parcialmente contrário. O objetivo do estudo qualitativo era entender a queda das coberturas vacinais em crianças de até cinco anos, fato que preocupa especialistas e o Ministério da Saúde.

Entre os grupos favoráveis à vacinação, o medo de efeitos adversos pós-vacinação, a baixa percepção de que essas doenças ainda representam risco e a dificuldade de acessar o serviço de saúde no horário de atendimento foram os principais fatores relacionados à hesitação, termo que se refere ao atraso ou recusa em se vacinar quando a imunização está disponível gratuitamente.

Já entre os grupos contrários às vacinas, adiciona-se a esses fatores a "preferência por tratamentos naturais em lugar da vacina, devido a crenças individuais ou falta de confiança em relação às motivações da indústria farmacêutica ao produzir as vacinas".

Entre todos os grupos, foi considerado fator favorável à decisão de vacinar a obrigatoriedade de apresentação da caderneta de vacinação de crianças menores de cinco anos para ter acesso a programas sociais. Os grupos favoráveis à vacinação consideraram a obrigatoriedade positiva para a saúde coletiva, enquanto os contrários, avaliaram que a prática é negativa, apesar de terem reconhecido que esse é o fator que os leva à vacinação.

As mesmas questões foram levadas pelo Unicef a 14 especialistas de oito capitais brasileiras, que apontaram, de forma unânime, a baixa percepção de risco é o principal fator para a hesitação vacinal no Brasil.

"Há uma ideia de que várias doenças imunopreveníveis já não constituem ameaças às crianças", resume Cristina. (Agência Brasil)

 

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