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Incêndio no Cocó pode ter relação com conflito de facções criminosas

Uma apuração preliminar indica que um homem ligado a facção teria espalhado o fogo ao longo da avenida Murilo Borges. A ação estaria ligada a um confronto entre áreas dominadas pelo crime na região da Aerolândia e bairros vizinhos
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Fogo persistia no Cocó na tarde de ontem (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Fogo persistia no Cocó na tarde de ontem

Foram pelo menos 22 horas de trabalho com 40 bombeiros militares do Ceará, dezenas de brigadistas, um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) para conseguir debelar o fogo que atingiu uma área de cerca de 20 hectares do Parque Estadual do Cocó, no bairro Aerolândia e entorno. Hoje pela manhã, equipes da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema), da Perícia Forense do Estado (Pefoce) e do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) estarão no “rescaldo da queimada” para investigar o que de fato ocorreu.

Duas fontes ouvidas pelo O POVO, e que estavam entre os militares que combatiam o incêndio, afirmam que 12 focos de incêndio não são normais em uma ocorrência que teria causas ligadas às altas temperaturas de novembro e à vegetação seca. “Um foco de fogo não pula de uma margem para outra do rio”, explica.

A orientação das fontes para o secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno e para o gerente da Unidade de Conservação, Paulo Lira, é que a Pefoce investigue o arquivo das câmeras de segurança localizadas na Raul Barbosa e, principalmente, na avenida Murilo Borges. 

Uma apuração preliminar apontaria que “um homem teria espalhado o fogo ao longo da avenida Murilo Borges” e que “esse indivíduo seria ligado a uma facção criminosa”. A ação estaria “ligada a um confronto” entre áreas dominadas pelo crime na região da Aerolândia e bairros vizinhos.

As fontes sinalizam que, próximo ao local atingido pelo incêndio, fica o quartel do BPMA e na área militar – responsável pela fiscalização da Unidade de Conservação – há câmeras de monitoramento de segurança.

Bombeiro tentando debelar focos de Incêndio no Parque do Cocó, na quinta-feira
Bombeiro tentando debelar focos de Incêndio no Parque do Cocó, na quinta-feira (Foto: FABIO LIMA)

Ao O POVO, o tenente-coronel Bombeiro José Leandro Marinho preferiu deixar para os peritos da Pefoce a investigação sobre as causas da tragédia. O fogo foi controlado por voltas das 16 horas, quando a avenida Murilo Borges foi liberada para o trânsito. A via passou o dia interditada entre a Raul Barbosa e a Thompson Bulcão, fechando o acesso de quem trafegaria em direção à Câmera Municipal de Fortaleza. 

Até o começo às 20h de ontem, equipes do Corpo de Bombeiros permanecia no local por precaução. “Enquanto tiver fumaça, apesar do fogo ter sido debelado, tem bombeiro”, disse o oficial. Os bairros da Aerolândia, Lagamar, Pio XII e São João do Tauape ainda tinham, durante a noite, uma "névoa" de fumaça. 

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou "que as causas do incêndio só serão definidas após um trabalho da Pefoce e da Polícia Civil". E que "qualquer especulação sobre possíveis motivos para a ignição do fogo é precipitada".

O prejuízo para o ecossistema do Parque do Cocó ainda não foi dimensionado. No entanto, a grande nuvem de fumaça provocou o cancelamento de aulas em algumas escolas na área do Lagamar e na Aerolândia. Além disso, desviou duas rotas de linhas de ônibus e moradores do entorno do Parque também foram obrigados a fechar portas e janelas ou deixar, temporariamente, as residências.

De acordo com Paulo Lira, gestor da Unidade de Conservação de Proteção Integral, o incêndio seria o maior já registrado no Parque do Cocó desde a demarcação, em 2017. Nos últimos quatro anos, segundo o gerente do bioma, o Relatório de Ocorrência de Incêndios (ROI) aponta que não houve nenhuma queima nessa proporção de 20 hectares ou um pouco menos.

 

"O local da combustão gigante é uma área degradada, com muito lixo, e já carecia de reflorestamento da mata ciliar do rio"

 

O fogo atingiu, principalmente, o capim seco e, também, algumas espécies de mangue-preto (Avicennia schaueriana). A árvore, conhecida ainda por canoé ou siriúba, é típica de áreas de manguezais no Ceará. O local da combustão gigante é uma área degradada, com muito lixo, e já carecia de reflorestamento da mata ciliar do rio que nasce na serra da Aratanha (Pacatuba) e desemboca na praia Caça e Pesca, em Fortaleza.

As chamas no Parque Estadual do Cocó, que tem 1.575 hectares de extensão, começaram por volta de 18 horas da última quarta-feira, 17/11. Ontem, ganharam força e se espalharam com o vento forte que soprou muita fumaça para bairros distantes até 10 quilômetros da Unidade de Conservação.

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ONG fará resgate de animais

Hoje, além dos investigadores da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), estarão no rescaldo do incêndio integrantes do Movimento Pró-Silvestre. Uma Organização Não Governamental que trabalha com resgate e reabilitação da fauna nativa. Desde ontem, ao lado do Corpo de Bombeiros, eles auxiliavam na coleta de animais atingidos pelo fogo no Parque Estadual do Cocó, em Fortaleza.

De acordo com o biólogo Bruno Guilhon, uma iguana foi resgatada e levada para cuidados veterinários. “Encontramos cinco sapos carbonizados e peixes mortos. Os anfíbios e os répteis, provavelmente, foram os mais atingidos”, comentou.

Pelas redes sociais, Bruno Guilhon fez apelo para que caso alguém encontre animal silvestre ferido ou queimado ligue para o Movimento Pró-Silvestre pelo telefone 98412.2520 ou pelos perfis no Instagram @bruno_guilhon. A ONG também disponibilizou um pix para doações: movimentoprosilvestre@gmail.com

Sobre esta reportagem, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) se manifestou:

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) ressalta que as causas do incêndio em uma área do Parque Estadual do Cocó, que teve início nessa quarta-feira (17) e foi debelado na quinta-feira (18), só serão definidas após um trabalho rigoroso de perícia que será feito pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e de investigação realizado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE). Qualquer especulação sobre possíveis motivos para a ignição do fogo é precipitada. A população pode contribuir com o trabalho das forças de segurança com informações que podem ser repassadas por meio do telefone 181 ou o WhatsApp 3101.0181. O sigilo e o anonimato são garantidos.

O POVO reforça que as informações publicadas foram apuradas com fontes da área, mas, conforme informado, são indícios preliminares, que não indicam conclusões definitivas ou finais.

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