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Integrantes da Feira de Livros se reinventam, mas ainda apontam prejuízo

| EDUCAÇÃO | Pais ainda vão à feira do Centro, mas preferem procurar barganhas em grupos organizados nas redes sociais
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 FEIRA DE LIVRO funciona na Praça
dos Leões há 20 anos (Foto: Thais Mesquita)
Foto: Thais Mesquita  FEIRA DE LIVRO funciona na Praça dos Leões há 20 anos

Pais e responsáveis de alunos procuram a feira de livros da Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, há mais de 20 anos, para vender, comprar ou até mesmo trocar livros paradidáticos e didáticos no início de um novo ano letivo. Com a pandemia, os feirantes tentaram se reinventar para não perder clientes, fazendo vendas online e entregando a domicílio. Mesmo assim, as vendas diminuíram. Com a volta de aulas presenciais, a expectativa era um aumento do faturamento, mas os lojistas ainda sentem dificuldades.

"Tá muito fraco. Nem pra pagar as dívidas 'tá' dando direito. Numa época dessa, há uns três anos, já tava todo mundo bem [financeiramente]. Esses anos da pandemia para cá, é só prejuízo", relata Lindemberg da Silva, feirante do local há 25 anos. A feira, que já chegou a ter 50 estandes de feirantes, neste ano conta com 36, segundo o presidente da feira, João Batista Macêdo.

Para João Batista, o mercado vem sofrendo retração desde antes da pandemia, mas a feira ainda é um bom lugar para fazer negócio. "Os aplicativos novos, as feirinhas dos colégios acabaram tirando um pouco o foco daqui, mas de certa forma têm muitos que mantêm a tradição e continuam vindo para cá", afirma. O lançamento de apostilas exclusivas por colégios também têm prejudicado os negócios da feira, de acordo com ele.

Quem decidiu manter a tradição na quarta-feira, 12, foi Danyelle Guerra, 44, mãe de dois alunos da rede particular. Apesar de gostar de fazer negócio nas redes sociais, a família de Danyelle não deixa de ir à feira. "Hoje a gente tem um grupo de pais e mães, e a gente consegue trocar e fazer melhor negócio do que aqui, porque a gente consegue vender um livro por R$ 20 e aqui eles compram por R$ 5, R$ 10."

A ida para a praça, para Danyelle, vale a pena para livros que não conseguem ser vendidos na internet. "Pelo menos movimenta. Não dá pra deixar esses livros parados em casa."

O presidente da feira dá dicas para quem ainda gosta de comparecer presencialmente ao local: falar diretamente com os donos dos estandes de livros e ter paciência para pechinchar. "Negociando você consegue um menor preço. O cliente não é obrigado a comprar livro de ninguém, se ele não se agradou com uma pessoa, compara e leva de outra."

Muitos dos feirantes precisaram se "adequar à realidade", como explica o presidente da feira, João Batista, e começar a atender clientes por meio das redes sociais. Trabalhando de forma virtual desde antes da pandemia, Alexsander Queiroz, feirante da Praça dos Leões, explica que o número de pessoas vendendo livros na internet cresceu. A procura pelo serviço, por sua vez, também.

"É por causa da comodidade de a pessoa ser atendida sem sair de casa. Você manda as fotos, manda os valores, você é atendido a domicílio. É melhor pro cliente, ele se sente mais confortável de receber o livro na sua casa pelo mesmo valor", diz Alexsander. No ambiente virtual, para ele, é importante fazer clientes cativos, que acabam recomendando a loja para outros pais. "O que ajuda mesmo é se você tiver indicação. No grupo, se você vender pra uma mãe, uma mãe avisa pra outra mãe, aí começa."

A publicitária Louise Parente, 38, virou cliente de uma das feirantes do Centro e agora negocia compras e trocas com a vendedora por meio do Whatsapp. "Ela vai buscar em casa, a gente consegue fazer toda a negociação por Whatsapp", afirma.

 

Materiais como mochilas e tênis também são vendidos

Devido ao regime de aulas remotas vigente por boa parte de 2020 e alguns meses de 2021, muitos dos uniformes, tênis e mochilas escolares não foram utilizados com frequência. Por isso, alguns dos grupos formados por mães nas redes sociais focam não só em livros, mas também em vender esse tipo de material.

"Como teve muita aula online, tem uniforme que a criança não usou. Até uniforme 'tá' rolando nesse esquema [de grupos]", conta Louise. A autônoma Ana Geisa Souza, 30, conseguiu as fardas da filha de 6 anos, que começará a estudar em um Colégio Militar de Fortaleza, de graça em grupos organizados por mães.

"Não é só meu caso, mas de 99% dos pais. A gente 'tá' buscando economizar com tudo. Tem pais vendendo fardamento, tênis, livro, mochila. Só material mesmo tipo caderno que não tem como comprar de segunda mão." Segundo Geisa, este ano deve gastar R$ 300 a mais do que já gastava em materiais escolares para os dois filhos, totalizando uma despesa de R$ 900. "Do apontador até a resma de papel, tudo teve um aumento significativo."

Para Michelle Arruda, 47, as regras de conduta dos grupos de pais ajudam a manter os preços bons "para não prejudicar ninguém". "Nos locais de venda exterior aos grupos, material este ano 'tá' muito caro, com preços muito exorbitantes e pouca opção."

Ela, que tem três filhas em idade escolar, participa de grupos no Facebook, Whatsapp e Telegram. Michelle conta que neste período de compra de materiais uma das coisas que mais chama atenção é a busca por desconto e oportunidades de troca. "As pessoas estão com poder aquisitivo tão baixo, estão oferecendo pra vender, mas como não conseguem vender logo, não conseguem comprar o delas."

 

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