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53 casos de Hepatite infantil misteriosa foram notificados ao Ministério da Saúde

|Saúde|Pesquisadores britânicos citam em artigo a possibilidade de a infecção prévia pelo vírus causador da Covid-19 ter relação com a doença. Ceará ainda não registrou nenhum caso da hepatite infantil
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Rio tem 6 casos suspeitos da hepatite misteriosa envolvendo crianças (Foto: )
Foto: Rio tem 6 casos suspeitos da hepatite misteriosa envolvendo crianças

Cinquenta e três casos da hepatite aguda misteriosa que atinge, sobretudo, crianças, foram notificados ao Ministério da Saúde (MS). Sendo que oito já foram descartados e nenhum foi confirmado. No Ceará, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), não existe nenhum caso sendo investigado. Especialistas conversaram com O POVO e analisaram que os casos podem ter relação com a pandemia e a Covid-19.

Os casos em investigação são: Santa Catarina (3), São Paulo (14), Minas Gerais (7), Rio Grande do Sul(4), Maranhão (1), Mato Grasso do Sul (4), Paraná (2), Rio de Janeiro (4), Espírito Santo (1), Goiás (2), Pernambuco (3). Casos descartados : Minas Gerais (1), São Paulo (1), Paraná (1), Santa Catarina (2), Rio de Janeiro (2), Mato Grosso do Sul (1).

Em artigo publicado na revista científica The Lancet, pesquisadores da Imperial College, em Londres, no Reino Unido, e do Centro Médico Cedars Sinai, nos Estados Unidos, levantaram a teoria de que uma infecção prévia pela variante Ômicron teria relação com a hepatite infantil.

Segundo o texto científico, há a possibilidade de o vírus da variante deixar "rastros" no organismo, como pequenos reservatórios que permanecem no trato gastrointestinal (boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus) e influenciam a inflamação exacerbada quando as crianças são infectadas pelo adenovírus que causa a hepatite.

Para a infectologista pediátrica do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), Michelle Pinheiro, o tempo que as crianças ficaram em isolamento domiciliar pode influenciar nas infecções, uma vez que elas não foram expostas aos patógenos por muito tempo. "Essas múltiplas exposições acabam ocasionando a formação de acometimentos múltiplos e causando danos hepáticos maiores que podem levar à mutação do adenovírus", explica a médica. Em outras palavras, o adenovírus que causava a hepatite antes pode não ser o mesmo que circula agora.

Nerci Ciarlini, também médica infectologista pediátrica, acredita que a hipótese mais forte seria a de que haveria uma junção das duas infecções: uma infecção prévia pela Covid-19 e uma infecção subsequente com o adenovírus. "Realmente foram encontrados amostras positivas do adenovirus em 72% dos casos no Reino Unido. A suposição seria a de que haveria a possibilidade da persistência do SARS-COV2 na mucosa intestinal", detalha.

A médica explica que o vírus da Covid-19, juntamente com a infecção pelo adenovírus, levaria à produção de algumas proteínas, chamadas superantígenos, que geraria uma resposta anormal das células de defesa do corpo. "Claro que isso não ocorreria em todas as crianças, pois seria necessário uma predisposição genética, digamos assim", frisa.

A médica diz ainda que as hepatites podem acometer qualquer faixa etária, contudo, crianças são acometidas por tipos específicos da doença. As chances do "cruzamento" entre as duas infecções, segundo Nerci, diminuiria se mais crianças tivessem sido vacinadas. "É importante ressaltar que não há relação entre a vacinação contra a Covid-19 e os casos da hepatite infantil aguda misteriosa", destacou.

Estados com casos suspeitos

 

Para monitorar os casos, o Ministério da Saúde diz ter instalado uma Sala de Situação com o objetivo de apoiar as investigações, bem como fazer o levantamento de evidências para identificar as possíveis causas. Essa sala conta com a participação de técnicos do Ministério, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e outros especialistas.

"Além do monitoramento, a medida vai padronizar as informações e orientar os fluxos de notificação e investigação dos casos para todos as secretarias estaduais e municipais de saúde, bem como para os Laboratórios Centrais", acrescenta.

O MS explica que a classificação de casos considera critérios de idade, resultados laboratoriais de hepatites virais e alteração de enzimas do fígado.

"As investigações são feitas pelas secretarias estaduais/municipais de saúde, com apoio, quando necessário, de um grupo de especialistas do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)", completa em nota.

No Ceará, a Sesa, através de nota, afirmou que "tem orientado os municípios quanto ao sistema de notificações da doença (disponibilizado pelo Ministério da Saúde) com o intuito de assegurar as comunicações de possíveis suspeitas", afirmou.

“Os casos seguem em investigação. Os centros de informações estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) e a Rede Nacional de Vigilância Hospitalar (Renaveh) monitoram qualquer alteração do perfil epidemiológico, bem como casos suspeitos da doença”, completou a Sesa. 

 

Como se previnir

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 casos da doença já foram registrados em todo o mundo.

Para prevenir a infecção
de crianças, as médicas infectopediatras indicam cuidados semelhantes
aos tomados durante
a pandemia da
Covid-19, como:

1) Uso de máscara em população de risco e não vacinados;

2) Higienização rigorosa das mãos;

3) Evitar aglomerações em locais fechados, principalmente com crianças e pessoas não vacinadas;

4) Manter crianças com algum quadro de gastroenterite, diarreia e vômito utilizando um vaso sanitário isolado;

5) Manter vasos sanitários sempre higienizados com desinfetante.

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