Neste ano, ao menos, 12 bairros de Fortaleza e sete de Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza) registraram relatos de ameaças a empresas de internet praticadas por facções criminosas.
É o que aponta levantamento do O POVO realizado com base em documentos da Polícia Civil do Ceará (PC-CE) e do Ministério Público do Estado (MPCE), assim como relatos de moradores e de fontes ligadas aos órgãos de segurança.
Em Fortaleza, os crimes foram registrados nos seguintes bairros: Autran Nunes, Barra do Ceará, Carlito Pamplona, Farias Brito, José Walter (Cidade Jardim I e II), Lagoa Redonda, Paupina (Residencial dos Escritores), Pirambu, Quintino Cunha, São João do Tauape (Lagamar), Sapiranga e Siqueira (Comunidade do Urubu).
Já em Caucaia, O POVO identificou ações criminosas nos bairros Conjunto Metropolitano, Padre Júlio Maria (Condomínio Pabussu), Capuan, Araturi, Itambé, Sítios Novos e Parque Soledade.
A reportagem ainda apurou a existência de casos de extorsões nos municípios de Maracanaú (Região Metropolitano de Fortaleza), São Benedito (Serra da Ibiapaba), Caridade (Sertão de Canindé) e São Gonçalo do Amarante (Região Metropolitano de Fortaleza).
A maior parte dos ataques foi praticada por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), mas O POVO também encontrou registros de ações realizadas pela Massa Carcerária e pela Guardiões do Estado (GDE).
As ações criminosas incluem danos às estruturas das empresas e ameaças a técnicos. Moradores também são coagidos a contratarem apenas serviços de provedoras “autorizadas” pelos criminosos. Além disso, em um período de menos de dois meses, ao menos, quatro carros de empresas de internet foram incendiados em bairros como Carlito Pamplona, Jacarecanga, Conjunto Metropolitano e Farias Brito.
Foi neste último bairro que foi registrada a mais recente queima de veículo. No último dia 20 de março, um automóvel da Giga+ foi incendiado por criminosos ligados ao CV na rua Boa Viagem. Na ação, um adolescente teve queimaduras e foi apreendido. Demais suspeitos de envolvimento no crime não foram presos até o momento.
Como O POVO tem mostrado, algumas dessas ações criminosas são comandadas diretamente do Rio de Janeiro (RJ), onde estão escondidos algumas das principais lideranças do CV.
Conforme trabalho investigativo da Delegacia Regional de Canindé, partiu de José Mário Pires Magalhães, conhecido como ZM, que está no RJ, a ordem para extorquir empresas de internet em Canindé.
Situação semelhante ocorre em Caucaia, onde os faccionados Luan Lima da Costa e Jederson Gomes de Oliveira, dupla que está refugiada no RJ, são suspeitos de realizar as extorsões a partir de mensagens de telefone em bairros como Conjunto Metropolitano.
Na quinta-feira passada, 27, a Secretaria da Segurança Publica e Defesa Social (SSPDS) divulgou que 40 suspeitos de envolvimento em ataques a provedores de internet foram presos em todo o Estado.
“Nenhuma ação criminosa ficará sem uma resposta de investigação e de ação operacional”, declarou na ocasião o secretário Roberto Sá. “Estamos trabalhando com todas as forças nessa coalizão do bem, contra esses grupos criminosos. Solicitamos aqui o apoio da população com informações, via Disque-Denúncia 181. Não toleraremos o crime aqui no Ceará. Se insistirem nessa empreitada, serão identificados um a um e presos”.
Nesse domingo, 30, a Brisanet anunciou ter perdido 2 mil clientes diante dos ataques criminosos. Outras empresas decidiram encerrar as atividades, como foi o caso da GPX Telecom.
De acordo com o portal Teletime, especializado no mercado de Telecomunicações do Brasil, fontes do setor indicam que, pelo menos, 10% da população da Região Metropolitana de Fortaleza mora em áreas atualmente controladas pelo crime organizado.
RMF
De acordo com o portal Teletime, especialista no mercado de telecomunicações, fontes do setor indicam que, pelo menos, 10% da população da RMF mora em áreas controladas pelo crime organizado