Quem passa pela ponte do rio Cocó na avenida Engenheiro Santana Júnior, em Fortaleza, já deve ter percebido a diferença do corpo d’água antes e depois do logradouro. Isso porque, além de servir como passagem sobre o corpo d’água, a plataforma também divide visualmente as partes do rio, onde um lado está lotado de aguapés, enquanto o outro segue limpo.
A diferença se tornou mais visível após as chuvas que levaram à cheia do Cocó no início do mês de março. Essa divisão ocorre devido a uma barreira flutuante instalada no rio para impedir que resíduos sólidos sigam o percurso do fluxo d’água até a praia da Sabiaguaba e desaguem no mar.
“A diferença entre um lado e outro da ponte é a existência de um barreira flutuante ali instalada para impedir os aguapés de descerem o rio. Essa barreira de contenção segura em parte o lixo, e segura os aguapés também”, explica a pesquisadora do programa Cientista Chefe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), Anna Abrahão.
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Ainda conforme a pesquisadora, o acúmulo de aguapés tende a crescer durante o período de chuvas em Fortaleza, que ocorre anualmente entre os meses de fevereiro e maio. A explicação para esse acréscimo está na presença de mais resíduos sólidos trazidos pelas fortes chuvas, já que essas plantas absorvem nutrientes a partir da matéria orgânica presentes no rio.
Além da poluição visual, o acúmulo desses vegetais tende a prejudicar também a vida animal naquele meio, já que interrompe a iluminação no rio e prejudica a respiração das espécies que ali habitam.
“Esses aguapés tampam a entrada da luz, então impedem que vários processos ecológicos aconteçam embaixo deles. Eles drenam oxigênio e geralmente se espalham mais em épocas que têm mais nutrientes no rio, ou seja, quando entra mais poluição”, pontua.
Hoje, a limpeza do rio é realizada por trabalhadores voluntários, que atuam também nos passeios de barcos pelo Cocó. Diariamente, cerca de 200 litros de plástico são retirados do corpo d’água, além de três a cinco sacos de lixo.
Além dos alagamentos no entorno do rio, as intensas precipitações vistas no começo de março tiverem efeitos dentro do próprio parque. Entre eles, a interdição das tradicionais trilhas de caminhada, que precisaram ser fechadas para manutenção no dia 12 deste mês.
Como efeito das chuvas, diversos trechos das trilhas ficaram parcialmente alagados e com grande acúmulo de lama, aumento o risco de quedas e demais acidentes com usuários. A atividade só pôde ser retomada 10 dias depois, na data de 21 de março, após os traçados passarem por limpeza e vistoria técnica.
Outro serviço a ser temporariamente interrompido foram os passeios de barco pelo parque, paralisados ainda em fevereiro, no dia 27. O aumento no nível do rio fez com que a água encobrisse o atracadouro dos barcos, impedido o acesso de passageiros até a primeira semana de março.
Limpeza
Diariamente, cerca de 200 litros de plástico são retirados do corpo d'água, além de três a cinco sacos de lixo. A ação é realizada por voluntários