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Preso chefe do CV que ordenava ataques a provedores de internet no Pirambu
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Preso chefe do CV que ordenava ataques a provedores de internet no Pirambu

Suspeito também era o principal elo de comunicação com chefes da facção que estão escondidos em comunidades do Rio de Janeiro. Subiu para 79 o número de suspeitos envolvidos direta ou indiretamente com ataques a empresas
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POLÍCIA Civil do Ceará (PC-CE) realizou coletiva para falar sobre prisão de chefe do CV no Pirambu (Foto: Divulgação/Polícia Civil do Ceará (PC-CE))
Foto: Divulgação/Polícia Civil do Ceará (PC-CE) POLÍCIA Civil do Ceará (PC-CE) realizou coletiva para falar sobre prisão de chefe do CV no Pirambu

Um homem apontado como chefe do Comando Vermelho (CV) no bairro Pirambu, em Fortaleza, identificado como Alan Costa Sena, vulgo “PatrãoNet”, 31, foi preso suspeito de ser responsável por ataques a empresas provedoras de internet no Grande Pirambu, em Fortaleza.

O suspeito foi capturado, na quarta-feira passada, 16, dentro de um triplex no bairro Cristo Redentor, durante mais uma fase da operação “Strike”, da Polícia Civil do Ceará (PC-CE). A ações buscam prender pessoas envolvidas nos ataques às provedoras no Estado, que vem registrando ocorrências desde janeiro deste ano.

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Com as novas prisões, subiu para 79 o número de suspeitos envolvidos direta ou indiretamente nos crimes a partir da operação da Polícia Civil. A nova fase da investigação revelou que o chefe da facção determinava qual era a empresa seria ou não atacada na região.

Conforme o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco),  delegado Thiago Salgado, o homem é apontado como o principal elo de comunicação entre as lideranças da facção que estão escondidas em comunidades do Rio de Janeiro.

Um deles é o “Skidum”, chefe do CV do Grande Pirambu, que está na comunidade da Maré, e integra a lista dos mais procurados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Ainda segundo o delegado, a função do suspeito preso era determinar quais provedores poderiam operar, quais teriam seus equipamentos danificados e em que horários, eliminando a concorrência para beneficiar empresas ligadas ao crime organizado.

De acordo com as investigações, a facção atuava para eliminar a livre concorrência entre provedores de internet nos bairros sob seu domínio. Entre os exemplos, o grupo, sob comando do suspeito e a partir de ordens dos chefes do CV no Rio, determinava que apenas uma empresa, alinhada ao crime organizado, poderia operar.

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“Se um bairro tinha dez provedores, no dia seguinte só um continuava funcionando. Os demais tinham seus equipamentos destruídos. Com isso, o provedor ligado à facção passava a concentrar toda a clientela, multiplicando seus lucros com a oferta de um serviço essencial”, afirmou o delegado Thiago Salgado.

O titular da Draco aponta que a prisão é vista como essencial pois retira de circulação o principal elo de comunicação com as lideranças do CV no Rio. Além disso, identifica os donos de provedores que estavam fechados com a facção criminosa.

“Também a gente teve o cuidado ao longo da investigação de diferenciar quem era dono de provedor, proprietário, representante, preposto, empresário e que estava sendo vítima”, afirma o titular da Draco.

Na investigação, foi revelado que as empresas fechadas com o esquema criminoso tinham que procurar o suspeito para fazer os pagamentos e demais assuntos sobre o esquema. O chefe da facção também cobrava as empresas diretamente para atuar na região, caso não tivesse pagamento, os materiais eram apreendidos pelo grupo criminoso ou destruídos.

De acordo com a Polícia Civil, o indivíduo com extensa ficha criminal, responde a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, vários tráficos, crimes contra a fé pública e agora com mais uma mandado de prisão cumprida e em desfavor dele. A atuação dele nos ataques a empresas de internet no Pirambu acontece desde o começo do ano.

Na captura, o suspeito tentou fugir do local, um apartamento triplex no bairro Cristo Redentor, no Grande Pirambu, mas foi baleado na perna. No local, foi apreendido um drone que, conforme o depoimento do suspeito, era utilizado para monitorar as movimentações policiais na região.

A operação já resultou em 79 prisões, incluindo 12 proprietários de empresas de internet que colaboravam com organizações criminosas para monopolizar o serviço em certas áreas. Os 12 representantes de provedores de internet foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

Doze empresas de internet são denunciadas pelo MP por integrar facção criminosa

Durante as investigações, pelo menos 12 donos de empresas de internet foram presos na operação da Polícia Civil. Com isso, 12 empreendimentos clandestinos foram alvo de investigação e foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Os donos das provedoras teriam se aliado ao CV por observarem uma tentativa de lucrar no esquema criminoso.

O POVO apurou a identificação das empresas. Foram denunciadas pelo MP as empresas Feitotel Telecom, Net Show, Total Net, Valdo Net, PH Telecom, Space Net, AG Net, Bob Net, Net. Com, D3 Connect, Speed Net, GL Net/ B Ne.

Segundo o coordenador da Coordenadoria de Planejamento Operacional (Copol), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Harley Filho, todos os donos das empresas denunciadas estão presos. Também foi possível realizar uma operação contra provedoras ilegais, que funcionavam sem autorização.

“Temos o terceiro pilar de trabalho que diz respeito a empresas irregulares, que instalam e suas internets, utilizam posts de energia de forma irregular. Uma operação denominada corta fios, que todas essas empresas que não têm nenhum vínculo, dentro do cenário de legalidade, nós estamos realmente fazendo um corte dessa internet e restabelecendo a livre concorrência”, disse o coordenador da Copol.

Ainda durante a atual fase da operação Strike, um homem, de 32 anos, foi preso no município de Icapuí, a 201,78 quilômetros de Fortaleza. O suspeito teria planejado uma ação criminosa a um provedor de internet na Praia da Redonda.

No momento da abordagem, o suspeito chegou a danificar o próprio celular para evitar provas contra ele dos crimes e desobedeceu às ordens dos policiais e resistiu a captura. A captura aconteceu por agentes da Delegacia de Polícia Civil de Icapuí. O homem foi autuado pelos crimes de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa.

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