“Acredito que essa é a nossa base para tomar decisões”, inicia o palestrante inglês Talib Fisher sobre a inteligência humana. O profissional encerrou a programação do Futura Trends na noite desta quinta-feira, 28, a partir da temática “Pensar, Sentir, Decidir: O Que Ainda é Exclusivo da Inteligência Humana?”.
Com mais de 25 anos de experiência global, Fisher fez parte da 15ª edição do evento, que reuniu profissionais nacionais e internacionais no Teatro RioMar, em Fortaleza. Ele é conhecido pela integração de abordagens orientais e ocidentais no trabalho com trauma, liderança e desenvolvimento humano.
“Nossa inteligência humana é onde podemos nos conectar com algo autêntico em nós mesmos e ter uma noção do que é certo para nós. Onde a influência externa da tecnologia, é claro, fornecerá muitas opções, mas dentro de nós mesmos”, avalia Fisher.
A palestra sucedeu uma programação embasada em discussões sobre os desafios do desenvolvimento da tecnologia em relação à saúde mental.
Para a secretária dos Direitos Humanos do Estado do Ceará, Socorro França, é necessário rever determinados conceitos ligados ao crescimento acelerado da tecnologia, considerando as consequências dessa relação com o ser humano.
“A juventude talvez não tenha sido preparada para saber usar exatamente a tecnologia que nós temos hoje. Infelizmente, estamos vivendo uma verdadeira síndrome digital”, reitera França, que atuou como mediadora da palestrante Vanessa Cavalieri, juíza da Vara da Infância e Juventude da Capital do Rio de Janeiro.
Em sua exposição, Talib Fisher retorna ao potencial da inteligência humana e às escolhas de cada indivíduo frente à era digital.
“As decisões que você tomaria no feriado podem ser totalmente diferentes das decisões que você tomaria no escritório, quando está completamente estressado”, explica. “Então, o ambiente em que você toma essas decisões influencia sua mente, seu estado interior”.
O palestrante argumenta que a mente é influenciada por esses "campos relacionais", que podem até estar ligados à tecnologia, mas que ainda atuam para oferecer as informações necessárias para uma decisão.
Esse processo de autoconhecimento, combinado à capacidade de regulação do sistema nervoso, é fundamental para a tomada de decisões benéficas a longo prazo. Segundo Fisher, a manutenção do equilíbrio emocional evita escolhas impulsivas em estados de agitação ou estresse, que poderiam levar a arrependimentos futuros — Afinal, "quem sabe o que é bom para você, além de você mesmo?".