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Plano de segurança deve ser implantado em escolas após conflitos entre facções no Vicente Pinzón e Papicu
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Plano de segurança deve ser implantado em escolas após conflitos entre facções no Vicente Pinzón e Papicu

Bairros passam por uma onda de violência em razão de uma guerra entre GDE e CV nas últimas semanas. Representantes escolares temem paralisação das atividades diante da insegurança nas regiões
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Vista aérea do bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza.  (Foto: FCO FONTENELE / O POVO)
Foto: FCO FONTENELE / O POVO Vista aérea do bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza.

Diante dos recentes conflitos entre facções criminosas nos bairros Vicente Pinzón e Papicu, em Fortaleza, um plano de segurança deverá ser discutido e implantado nas escolas municipais da região.

Entre as medidas implementadas pelas Secretarias Municipais da Educação (SME) e da Segurança Cidadã (Sesec) constam a criação de um comitê de segurança para aproximar a Guarda Escolar Comunitária das unidades. Além do reforço da presença de viaturas e guardas municipais em todas as escolas da região do Vicente Pinzón.

Em nota, as pastas destacam que o plano amplia o efetivo já presente pela Polícia Militar. Protocolo inclui "utilização de vídeomonitoramento, rondas permanentes, contato com a comunidade escolar e ampliação da relação dos profissionais da escola com a ronda escolar da GMF".

A iniciativa atende a reivindicações de representantes escolares, que solicitaram medidas urgentes para garantir a segurança de estudantes e profissionais durante uma reunião, ontem, 28, com a secretária executiva da Educação (SME), Ana Christina Silva.

Atualmente, as regiões vivem um conflito entre as facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV). O cenário já causou tiroteios e mais de 12 homicídios desde junho. A reunião também contou com representantes de outras 13 escolas municipais do distrito 2, que compreende os bairros Mucuripe, Meireles, Cais do Porto entre outros.

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“O que temos de entendimento é que precisamos de um protocolo de segurança para voltar a trabalhar, pois o ensino das crianças é um direito”, disse uma professora, que preferiu ficar em anonimato.

O POVO apurou que pelo menos três escolas estão com atividades paralisadas diante do cenário do conflito entre as facções nesta semana. De acordo com a SME, nessa quinta, das 17 escolas e creches da região, duas não tiveram aulas devido aos incidentes registrados.

Representantes das escolas discutiram elaboração do protocolo

A elaboração do protocolo emergencial foi discutida na reunião com os gestores municipais e professores das escolas dos bairros. A discussão para definir a medida foi realizada em outra reunião entre Sindiute e SME ainda nessa quinta-feira.

O coordenador do Comitê de Prevenção e Combate a Violência, da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Thiago de Holanda, disse que o Comitê foi chamado pelos representantes como ouvinte para acompanhar a discussão. A sugestão da criação do protocolo também foi ressaltada pelo coordenador e a elaboração deve contar com apoio da entidade.

Em vídeo divulgado à imprensa, a secretária executiva aparece ao lado do secretário de Segurança Cidadã de Fortaleza, Márcio de Oliveira. “Discutimos um plano de segurança para as nossas escolas, alunos, pais dos nossos alunos fiquem tranquilos e garantir o funcionamento total das nossas escolas no distrito”, disse a Ana Cristina.

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Conforme o coronel Márcio Oliveira, viaturas da Guarda Municipal foram verificar a situação da região. Na região, viaturas da GMF e da Polícia Militar estão no local para garantir o funcionamento das escolas. “É uma missão nossa, contribuir para que as nossas escolas tenham aulas normalmente”, afirma.

Em declaração oficial ao O POVO após a reunião com a SME, os professores afirmaram que precisam de medidas emergenciais. “Chamamos às autoridades competentes (SME, SSPDS, Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Fortaleza) que busquem soluções e promovam ações que venham a reintegrar a tranquilidade de nossos dias”, disse o texto.

Questionada sobre o monitoramento nas instituições no atual cenário, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou, em nota, que a Polícia Militar do Ceará (PMCE) encaminhou composições do Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de Proteção e Apoio às Comunidades (Copac).

“Os policiais militares devem auxiliar na manutenção da rotina nas instituições de ensino e proximidades. Além disso, são realizados trabalhos ostensivos pelo Policiamento Ostensivo Geral (POG), Força Tática (FT) e motopatrulhamento. Equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), intensificaram o patrulhamento na região”, disse a pasta.

A presidenta do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute), Ana Cristina Guilherme, pontua que os conflitos começaram há cerca de um mês. "Daria para a Prefeitura ter reunido, chamado as escolas, estabelecido um protocolo antes. Mas, como sempre, a gente tem que vir aqui dizer que a gente existe, que vidas importam e que é um direito das crianças aprender e dos professores ensinar", destacou. "Nós queremos trabalhar com segurança".

Ainda de acordo com Ana Cristina Guilherme, haverá hoje, 29, na Academia do Professor, uma reunião às 8 horas com os representantes e professores das escolas municipais Maria Gondim e Maria Alice, além dos CEIs Darcy Ribeiro e Menino Maluquinho.

Onda de violência

Como O POVO vem mostrando nas últimas semanas, os bairros Papicu e Vicente Pinzón vêm passando por uma onda de violência em razão de uma disputa entre facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV).

No Papicu, a comunidade dos Índios foi mais uma região onde era registrada atuação da GDE e os criminosos decidiram "rasgar a camisa" da facção para ingressar no CV. Desde então, a comunidade e o entorno vivem sob tensão do conflito.

No domingo, 24, mais um homem foi assassinado na comunidade dos Índios. Na terça-feira, 26, policiais militares apreenderam dois revólveres calibre .38 e uma pistola calibre 9mm.

De acordo com a PM, a apreensão foi realizada após os agentes de segurança visualizarem um “indivíduo em atitude suspeita” e ele correr abandonando uma mochila, onde o armamento foi encontrado.Na região, aulas de escolas municipais foram suspensas. Os representantes escolares pedem a implantação do ensino remoto até que a segurança nos bairros seja normalizada.


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