Para atingir a universalização do ensino médio em tempo integral em 2026, ano limite da meta, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) tem feito mudanças na oferta de turmas para o próximo ano letivo. Em duas escolas estaduais, dos bairros Cajazeiras e Dias Macêdo, o 1º ano deixará de ser oferecido. As turmas serão absorvidas por escolas integrais.
As mudanças geraram confusão e reclamações por parte de pais de alunos das escolas Constança Távora (Cajazeiras) e Antônio Dias Macêdo (Dias Macêdo).
As turmas de 1º ano dessas unidades serão absorvidas pelas Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Paulo Ayrton e Guilherme Wassen, respectivamente. Segundo a Seduc, as unidades passaram por ampliação dos espaços e dispõem de estrutura adequada para receber a demanda do tempo integral.
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Uma manifestação de alunos, professores e comunidade foi feita em prol da permanência das turmas de 1º ano na escola Antônio Dias Macêdo. Já na Constança Távora, um abaixo-assinado foi compartilhado para pedir a revogação da mudança.
Fonte da escola Constança Távora procurada pelo O POVO afirma que não foi feita uma consulta à comunidade ou apresentação de relatório que justifique a mudança.
Os funcionários temem que o fim do 1º ano acabe prejudicando a procura pela escola, já que não teria alunos veteranos para progredir para as turmas de 2º e 3º ano. Em 2025, a unidade atendeu 351 alunos.
Em nota, a Seduc afirma que as escolas sem 1º ano a partir de 2026 vão continuar funcionando normalmente com as turmas de 2º e 3º.
A pasta estadual diz ainda que as decisões “foram construídas em diálogo com as gestões escolares, como parte do processo de ampliação progressiva do tempo integral, garantindo planejamento e continuidade às trajetórias estudantis”.
“A Secretaria realiza estudos anualmente com o objetivo de fortalecer o projeto pedagógico das unidades escolares, aprimorar a organização da rede e ajustar a oferta educacional conforme a demanda apresentada por cada território”, diz o texto.
“Todos os pais dos alunos que iam fazer o primeiro ano estão mal. Deslocar a criança agora acho que não é uma boa. Ela está acostumada com os professores. É uma escola pequena, acolhedora, o coordenador é uma pessoa excelente, conhece todos os pais”, afirma Francineide Inácio, 48. A filha dela, Sara, 17, fez o 9º ano no Constança Távora e iria continuar na escola para o ensino médio.
Conforme a mãe da aluna, os pais se sentiram “obrigados” a fazer a mudança, já que não há outra escola próxima que oferte a etapa escolar.
“A minha filha já estudou no Paulo Ayrton. Eu não me sinto segura. Não vou estar indo deixar ela e indo buscar todo dia. Se for pra botar, eu não vou botar. Não acho seguro e é mais distante de onde eu moro”, diz Camila Cavalcante, 39, também mãe de aluna do Constança Távora.