O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela gera incerteza sobre o impacto total na economia brasileira, cuja mensuração depende do desdobramento geopolítico. Economistas preveem impactos nas relações comerciais, especialmente risco de pressão inflacionária se houver interrupção no fornecimento de petróleo e fertilizantes importados, e se o preço do petróleo subir.
O economista Ricardo Eleutério Rocha diz que ainda é cedo para mensurar o impacto na economia brasileira. "Vai depender do que vai acontecer nas próximas semanas: se vai haver um vácuo político na Venezuela, se os Estados Unidos ocupam; como o Brasil vai se posicionar politicamente", analisa.
Eleutério prevê alguns impactos nas relações comerciais de importação e exportação, uma vez que o Brasil importa fertilizantes e petróleo da Venezuela.
"Se o preço do petróleo subir e houver interrupção de fornecimento de produtos para o setor do agro brasileiro, nós vamos ter alguma pressão inflacionária", comenta o economista.
Ele pontua ainda que o mercado venezuelano é um destino das exportações brasileiras, que também deverão ser impactadas. Mas pondera que ainda não é possível cravar como será o desdobramento político.
O Brasil importa principalmente adubos ou fertilizantes químicos (40,4%) e alumínio (30,7%) da Venezuela, e exporta açúcares e melaços (15,2%)
A reação do mercado financeiro, envolvendo câmbio e bolsa, não pôde ser analisada imediatamente por ter ocorrido em um sábado. Segundo Eleutério, a reação do mercado financeiro deve acontecer com um pouco mais de clareza a partir de amanhã.
Em recente entrevista ao Conexão Record News, Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio, explicou que as movimentações de Washington sobre o combustível fóssil venezuelano se dão por dois motivos: quebras de contratos sem as devidas indenizações a empresas americanas e a queda das reservas do país.
Na ocasião, Simões apontou que a movimentação, além de causar variações nos preços do produto, também interferem nos países da região, por se aumentar o risco de investimento em países emergentes.
Na análise de Márcio Coimbra, ex-diretor da Apex Brasil, CEO da Casa Política e colunista OP , a captura de Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas desencadeia uma reconfiguração sistêmica na geopolítica da América do Sul, encerrando o ciclo de influência do regime chavista na região.
"A ação dos Estados Unidos interrompe a continuidade de uma estrutura estatal que Washington e diversos organismos internacionais classificam como um foco de instabilidade institucional e criminalidade transnacional", diz Coimbra.
Para o Brasil, segundo o ex-diretor da Apex, a queda desse regime representa o fim de uma fonte crônica de tensão na fronteira norte. "E o desmonte de um eixo ideológico que priorizava a manutenção do poder autocrático em detrimento da estabilidade democrática continental, forçando uma transição para modelos de governança alinhados aos padrões das democracias liberais", comenta Coimbra.