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Mortalidade infantil cai 17,6% no Ceará, mas 62,5% são evitáveis
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Mortalidade infantil cai 17,6% no Ceará, mas 62,5% são evitáveis

| Saúde |Os dados, referentes aos últimos 14 anos, fazem parte do boletim epidemiológico compartilhado pela Secretaria da Saúde do Estado
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Entre 2011 e 2024, Ceará registrou um declínio de 17,6% na taxa de mortalidade infantil (Foto: pvproductions/Freepik)
Foto: pvproductions/Freepik Entre 2011 e 2024, Ceará registrou um declínio de 17,6% na taxa de mortalidade infantil

A taxa de mortalidade infantil (TMI) em território cearense registrou um declínio de 17,6% entre 2011 — quando 13,6 óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidos vivos foram apontados — e 2024 (11,2 óbitos). A informação é do boletim epidemiológico de dezembro/2025 da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa).

De 2011 a 2024, o levantamento notifica que 21.221 mortes de crianças menores de um ano foram registradas no Estado. O número total corresponde a uma média de 1.542 óbitos/ano.

Já a proporção de óbitos infantis evitáveis variou de 71,2% em 2011 para 62,5% no ano de 2024. A porcentagem representa uma redução de 12,2%, com discretas flutuações no período.

"Mortes infantis evitáveis" são "aquelas consideradas preveníveis por ações efetivas dos serviços de saúde". Incluem "adequada e oportuna atenção à mulher na gestação e no parto; atenção ao recém-nascido; ações de imunoprevenção; ações adequadas de diagnóstico e tratamento e ações de promoção".

"A primeira questão é entender o que é morte evitável e morte inevitável", diz a ginecologista e obstetra Liduína Rocha. "A morte inevitável é a que, mesmo que se faça diagnóstico, não existe tratamento. Principais causas: malformações fetais e as doenças genéticas". 

Já uma parte significativa das mortes infantis evitáveis acontece durante o período do perinatal, ou seja, a partir da 28ª semana até o final do primeiro mês e, especialmente, nos primeiros dias após o nascimento. 

Entre as causas, predominaram no ano de 2024 as reduzíveis por ações de atenção à mulher na gestação e por adequada atenção ao recém-nascido. Ambas alcançaram 44%.

A terceira posição foi ocupada pelas evitáveis por adequada atenção à mulher no parto, com variação entre 11,4% (2011) e 8,3% (2024), registrando redução de 26,9%.

"Essas mortes neonatais precoces, que acontecem no momento do nascimento até o sétimo dia, uma parte significativa delas acontece na maternidade, mas por condições que poderiam ter sido prevenidas ou tratadas adequadamente no pré-natal. Um dos exemplos significativos é a prematuridade, que se associa muito à infecção", explica a profissional. 

Para Liduína Rocha, durante o pré-natal, fazer cultura de urina de maneira sistematizada é uma prevenção efetiva.

"Outras condições maternas são responsáveis por prematuridade, causada por uma necessidade de intervir ou por descompensações que podem levar à morte ainda na gravidez ou logo após o nascimento. Duas condições são diabetes gestacional e uma condição da pressão alta induzida pela gravidez, que a gente chama pré-eclampsia", completa. 

A ginecologista e chefe da Divisão Médica da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Zenilda Vieira Bruno, aponta que, diante do cenário, a qualidade do pré-natal deve melhorar. As mudanças devem incindir na realização de exames laboratoriais e nas medicações.

"No momento do parto, é importante maior disponibilidade de leitos, para não ter atraso na resolução do parto, com maior disponibilidade de leitos de UTI neonatal para os bebês prematuros", relata Zenilda.

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