Abaiara (Cariri Cearense), Alcântaras (Sertão de Sobral), Antonina do Norte (Cariri), Baixio (Centro-Sul), Caririaçu (Cariri Cearense), Deputado Irapuan Pinheiro (Sertão Central), Ereré (Vale do Jaguaribe), Granjeiro (Cariri Cearense), Guaramiranga (Maciço do Baturité), Hidrolândia (Sertão dos Crateús), Ipaumirim (Centro-Sul), Moraújo (Sertão de Sobral), Palhano (Vale do Jaguaribe), Penaforte (Cariri Cearense) e Umari (Centro-Sul).
Dos 184 municípios do Ceará, 15 não registraram homicídios em 2025, conforme os dados de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs, a soma de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) na sexta-feira passada, dia 9.
A maior parte desses municípios é de pequeno porte: o maior deles é Caririaçu, que tinha 27.532 habitantes, conforme estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os demais têm menos de 20 mil moradores. Dos 10 menores municípios do Estado, quatro não registraram homicídios: Ereré, Granjeiro, Guaramiranga e Umari.
Caririaçu também foi o município que registrou a maior queda no número de assassinatos em 2025 dentre aqueles que não tiveram homicídios. Em 2024, Caririaçu havia registrado nove CVLIs.
Entre os municípios que não registraram assassinatos no Estado no ano passado está Baixio, onde não ocorre um homicídio há mais de 10 anos, como O POVO mostrou em agosto de 2023. O último homicídio registrado pela SSPDS em Baixio ocorreu em 21 de janeiro de 2010.
Em 2024, haviam sido 17 os municípios que terminaram o ano sem assassinatos. Alcântaras, Baixio, Ereré, Granjeiro, Ipaumirim e Umari foram as cidades que constaram em ambas as listas.
Na comparação com 2024, 96 municípios registraram redução no número de homicídios em 2025. Entre as principais retrações ocorridas estão as que aconteceram em Cedro (Sertão Central do Estado) e Cruz (Litoral Norte), que saíram de 14 homicídios em 2024 para 1 em 2025. Miraíma (Vale do Curu) também apresentou expressiva redução: de 17 para 3 assassinatos.
Por outro lado, 61 municípios do Estado registraram aumento no número de homicídios em 2025. Entre essas cidades estão Apuiarés (Vale do Curu), que havia tido um assassinato em 2024 e, em 2025, registrou oito; e Varjota (Sertão de Sobral), que saiu de 11 para 27 homicídios.
Já entre os municípios de maior porte, destacam-se os casos de Russas (Vale do Jaguaribe), Quixadá (Sertão Central) e Horizonte (Região Metropolitana de Fortaleza. Em Russas, os assassinatos saltaram de 19 casos em 2024 para 29 em 2025. Em Quixadá, foram 28 homicídios em 2024 e 43 em 2025. E em Horizonte, os 21 assassinatos de 2024 se transformaram em 33 mortes em 2025. Ainda houve 27 municípios que registraram o mesmo número de assassinatos tanto em 2024, quanto em 2025.
Como O POVO mostrou na edição de sábado, 10, ao todo, 3.021 CVLIs foram registrados em 2025 no Estado. A redução foi de 7,7% em relação a 2024, quando ocorreram 3.272 assassinatos. Em Fortaleza, a retração foi de 11%: 742 mortes em 2025 e 834 em 2024.
Maranguape pode voltar a ser o mais violento do País
Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, pode voltar a figurar como o município mais violento do Brasil em 2025. No ano passado, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou Maranguape como o município que registrou a maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) do País em 2024. Foram 79,9 MVIs por 100 mil homicídios.
Como O POVO mostrou no sábado, 10, os dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) indicam que os homicídios cresceram em 2025 em Maranguape. Enquanto, em 2024, a SSPDS computou 85 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs, a soma de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) em Maranguape, em 2025, esse número foi de 106 — crescimento de 24,70%.
Diferentemente dos CVLIs da SSPDS, as MVIs do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também utilizam as mortes por intervenção policial para a composição do indicador. No ano passado, em Maranguape, além de 106 CVLIs, também foram registradas três mortes por intervenção policial. Com isso, levando em conta a estimativa de população feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, a taxa de MVIs de Maranguape deve ficar em 100,34 mortes por 100 mil habitantes.
Os índices de violência em Maranguape no ano passado foram puxados pela disputa entre facções criminosas que atuam na região. No município, atuavam, pelo menos, três facções:Comando Vermelho (CV), Guardiões do Estado (GDE, que depois se tornou Terceiro Comando Puro) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Entretanto, Maranguape foi mais um dos territórios a registrar um movimento de expansão do CV celebrado no fim de 2025 com queimas de fogos. Criminosos de localidades onde até então predominavam TCP e PCC passaram a integrar o CV.
Na quinta-feira passada, 8, um homem apontado como uma das principais lideranças do CV em Maranguape foi preso na cidade de Palestina do Pará, no estado de mesmo nome. Vinicius da Silva Oliveira, o MT das 40 ou Mortadela, constava na Lista dos Mais Procurados da SSPDS. Conforme a Polícia Civil do Ceará, Vinicius também aderiu à mudança ocorrida no TCP e passou a integrar o CV.
Maranguape foi o quarto município do Ceará com a maior taxa de CVLIs em 2025. Com 97,58 CVLIs por 100 mil, o município ficou atrás apenas de Groaíras (167,12), Varjota (144,32), Cariré (132,78) e Aratuba (131,26).
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em 2013