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Em seis anos, ocorrências de maus-tratos contra animais aumentam quase 5 vezes no Ceará
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Em seis anos, ocorrências de maus-tratos contra animais aumentam quase 5 vezes no Ceará

Painel de dados que reúne denúncias e crimes contra animais foi lançado pela Supesp em parceria com a Sepa nessa terça-feira, 13, e reúne números entre os anos de 2019 e 2025
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Lançamento do painel dinâmico de proteção animal da Supesp em parceira com a Sepa (Foto: Nayana Melo/Especial para O Povo)
Foto: Nayana Melo/Especial para O Povo Lançamento do painel dinâmico de proteção animal da Supesp em parceira com a Sepa

Em seis anos, as ocorrências de maus-tratos contra animais no Ceará aumentaram quase cinco vezes em seis anos. De 2019 a 2025, o Estado também registrou alta de 348% no número de ocorrências que incluem denúncias e crimes contra os animais.

Os dados são do novo painel que reúne dados sobre denúncias e crimes contra animais, lançado nessa terça-feira, 13, pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) em parceria com a Secretaria de Proteção Animal (Sepa).

No ano passado, o Estado contabilizou 1.131 ocorrências de maus-tratos contra animais. Em 2019, foram 252 registros. Já em 2020, o número saltou para 684 casos. Em 2021, foram contabilizadas 1.031 ocorrências. No ano seguinte, 2022, houve uma leve redução, com 978 registros. Em 2023 e 2024, os números voltaram a subir, com 996 e 1.089 ocorrências, respectivamente.

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Durante a apresentação da nova ferramenta no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Fortaleza, representantes dos órgãos detalharam a plataforma, que reúne dados de ocorrências de maus-tratos contra animais registradas entre 2019 e 2025. O painel será atualizado continuamente, incorporando os dados mais recentes a cada ano.

Um estudo desenvolvido pela Supesp foi realizado para chegar na plataforma. “A partir do sistema de informação da polícia, a gente extraiu os dados, catalogou esses dados, organizou esses dados, estruturou e fizemos análise”, disse a titular da Supesp,  Juliana Barroso. O estudo foi apresentado à Sepa, que firmou parceria com o órgão.

As ocorrências incluem tanto denúncias quanto crimes de maus-tratos. A partir desses números, a superintendente da Supesp disse que é possível realizar análises e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à proteção animal. Ainda segundo ela, os dados são consolidados com base no sistema da Polícia Civil, que reúne registros de denúncias e de crimes.

No painel, um mapa termográfico do Ceará indica as regiões com maior número de ocorrências. No entanto, Juliana ressalta que as áreas com tonalidades mais claras não significam ausência de crimes, mas sim que os casos ainda não foram identificados ou registrados no sistema da Polícia Civil. Ressaltando também o direcionamento de onde a Sepa pode atuar.

Conforme o secretário da Proteção Animal, Erich Douglas, anteriormente as ações da pasta eram realizadas sem dados e, agora, espera que haja inovação nas ações voltadas à proteção animal. Ele destaca que, atualmente, a população está elucidando e entendendo mais a questão dos crimes de maus-tratos. Entre as ações para auxiliar à população nisso, está a orientação no portal da Sepa.

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“A secretaria dá todo um suporte, mostrando como é que se pode fazer. Quando acontece alguma coisa, a gente manda o ofício, entra em contato com a delegacia do meio ambiente e, assim, a gente vai propagando a forma de como é que a sociedade chega até até fazer os procedimentos para incriminar o agressor do animal”, exemplifica.

Ainda de acordo com ele, a inauguração do painel de dados amplia as possibilidades de análise e permite que tanto o poder público quanto a sociedade tenham acesso às informações. Com os números consolidados, é possível pensar em novos programas e estratégias de combate aos maus-tratos, utilizando os dados como base para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Fortaleza teve queda de 8,8% nas denúncias e crimes contra animais no ano passado

Os dados no painel revelaram que Fortaleza apresentou queda de 8,8% no ano passado em relação às ocorrências. Em 2025, o número de denúncias e crimes foi de 474 casos. Já em no ano anterior, os números foram de 570 ocorrências, entre denúncias e crimes contra animais domésticos e silvestres. Os dados foram consolidados pelo O POVO, nessa terça-feira, 13.

Os dados também mostraram que, nos últimos anos, as ocorrências de maus-tratos a animais têm mostrado uma tendência de crescimento. Entre 2019 e 2025, os dados indicam também que as denúncias foram cinco vezes maiores na série histórica.

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Em 2019, foram registradas 93 ocorrências. No ano seguinte, o número começou a crescer, chegando a 354 casos, registrando um aumento de mais de 280% em apenas um ano. O aumento seguiu nos anos seguintes com 470 registros em 2021, 483 em 2022 e 443 em 2023.

Apesar de 2023 ter apresentado uma redução em relação ao ano anterior, o número voltou a subir em 2024, atingindo 520 ocorrências, o maior índice da série histórica, e se manteve elevado em 2025, com 474 casos de denúncias e maus-tratos. O painel está disponível no portal da Supesp para acesso de entidades e público em geral.

Lei

A Lei 9.605, de 1998, classifica como crime a prática de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais, com penas de detenção de três meses a um ano
e multa

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