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Mães relatam descaso em atendimento pediátrico no Hospital Luís França, em Fortaleza
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Mães relatam descaso em atendimento pediátrico no Hospital Luís França, em Fortaleza

Jejum prolongado, atraso médico e negligência pós-procedimento estão entre as reclamações. O Hapvida comentou sobre o caso
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EMERGÊNCIA Pediátrica do Hospital Infantil Luís França, em Fortaleza (Foto: Samuel Setubal)
Foto: Samuel Setubal EMERGÊNCIA Pediátrica do Hospital Infantil Luís França, em Fortaleza

Mães de duas crianças relataram descaso durante o atendimento pediátrico realizado no Hospital Luís França, em Fortaleza, na tarde de quarta-feira, 7. O caso foi denunciado à unidade hospitalar, via Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). O Hapvida, responsável pela gestão do Hospital Luís França, informou a razão da demora e lamentou o tempo de espera das famílias. 

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Em entrevista ao O POVO, Ingrid Jales relatou que a filha, Aurora Jales, de 6 anos, precisou comparecer ao hospital para realizar uma endoscopia com sedação pediátrica, com o objetivo de investigar uma possível alergia ou intolerância à lactose.

Seguindo as orientações médicas para o procedimento, agendado para às 18 horas, Aurora iniciou o jejum total de sólidos por volta das 10 horas. Aproximadamente às 14h30min, ela e a mãe deram entrada na unidade de saúde.

Cerca de meia hora depois, as duas foram encaminhadas para a sala pré-operatória, onde Aurora foi submetida ao processo de assepsia corporal, permanecendo pronta para o procedimento.

 

A intervenção, porém, só foi realizada por volta das 20 horas. O atraso gerou indignação, o que fez Ingrid procurar a equipe do hospital para saber o motivo da demora.

“Nesse tempo todinho, ela (Aurora) estava extremamente estressada, já chorando, cansada, porque estava desde 10 horas sem comer. Então, a criança estava com dor de cabeça, cansada, estressada, não queria mais fazer o procedimento”, relata.

De acordo com a mãe de Aurora, a resposta da unidade de saúde foi de que o médico responsável pelo procedimento ainda não havia chegado e que “isso era comum”. Segundo ela, uma enfermeira chegou a alegar: “Você não é a primeira e nem será a última”.

A dona de casa Amanda de Barros Oliveira, mãe de Ithan de Barros Cavalcante, de um ano e oito meses, também passou por uma situação semelhante. Com um histórico de alergias múltiplas, o bebê foi encaminhado de Juazeiro do Norte à Fortaleza para realizar um exame de Endoscopia Digestiva Alta sob anestesia, no Hospital Luís França.

“Essa viagem não foi uma escolha, foi uma necessidade médica, determinada pelo plano de saúde, já que o exame não seria realizado na nossa cidade”, conta Amanda. A intervenção foi agendada para às 17 horas daquela quarta-feira, 7.

A dona de casa relata que, apesar de estarem no hospital desde cedo, às 15 horas, e terem cumprido todas as exigências para a realização do exame, o procedimento não foi realizado no horário previsto, “nem dentro de um tempo minimamente aceitável para um bebê em jejum”, acrescenta.

Assim como Ingrid, Amanda também procurou a equipe do hospital para relatar a situação e entender o motivo do atraso. “As explicações foram vagas, desencontradas e insuficientes. Não havia informação clara, nem previsão realista. Apenas pedidos para ‘aguardar mais um pouco’, enquanto o tempo passava e o sofrimento do meu filho aumentava”, compartilha.

Ela lamenta a falta de urgência e cuidados do hospital com o filho. “Até a equipe de enfermagem chegou a falar que o médico fazia isso frequentemente, que nós não seríamos as primeiras e muito menos as últimas a serem atendidas daquela forma”, diz.

“O Ithan ficou extremamente irritado, choroso, exausto e visivelmente debilitado. Como mãe, foi desesperador ver meu filho com fome, sede, cansaço, sem entender o que estava acontecendo, e eu sem poder fazer nada para aliviar aquele sofrimento. Foi uma situação de violência emocional e física contra um bebê”, descreve.

Problemas persistiram após a realização do procedimento

Na denúncia enviada ao SAC, Ingrid descreve que no momento em que Aurora despertou do efeito do sedativo, solicitou a retirada da sonda nasal da criança. Foi nesse momento que ela percebeu que a boca da filha estava inchada.

“Ao comunicar imediatamente o ocorrido à equipe de enfermagem, fui informada de que o médico responsável já havia se retirado do hospital, não estando mais presente para avaliação ou esclarecimentos, o que gerou ainda mais insegurança quanto à condição da minha filha no pós-procedimento”, detalha.

Para Amanda e Ithan, a situação envolveu ainda problemas quanto à hospedagem na Capital. “Eu vim de Juazeiro do Norte e eles queriam me dar uma hospedagem do dia 6 ao dia 7, com o check-in de 14 horas do dia 6, às 12 horas do dia 7, sendo que o exame seria feito às 17 horas e que a gente já seguisse viagem após o exame, às 22 horas, do dia 7 mesmo”.

Por conta disso, Amanda precisou solicitar um laudo médico da gastropediatra do bebê para resolver a situação. “Eu não aceitei, senão teria ficado na rua com meu bebê, porque eu saí do hospital mais de 21h30min. Tive que pedir um laudo da gastropediatra do meu bebê, alegando que não autorizava a viagem no mesmo dia”, explica.

“É importante dizer que isso não é apenas sobre atraso, é sobre descaso com a infância, com a dignidade humana e com o direito básico à saúde. Um bebê não pode ser tratado como um número em uma fila. O que vivemos não pode se repetir com outras famílias. Nenhuma mãe deveria passar pelo que eu passei, vendo seu filho sofrer sem respostas, sem acolhimento e sem respeito”, acrescenta Amanda.

O que diz o hospital?

Procurado pelo O POVO, o HapVida, responsável pela gestão do Hospital Luís França, informou que "o atraso na realização de exames de endoscopia eletiva em dois pacientes pediátricos, no último dia 7, ocorreu porque o médico responsável precisou atender uma urgência, conforme critérios de prioridade clínica".

"Os procedimentos foram realizados com segurança, em ambiente hospitalar preparado e seguindo rigorosamente os protocolos clínicos previstos para a realização do exame. A unidade lamenta o tempo de espera das famílias e reafirma seu compromisso com a segurança do paciente, a qualidade do cuidado e a humanização no atendimento pediátrico", acrescenta.

Local

A unidade hospitalar funciona na avenida Heráclito Graça, 60 - Centro, em Fortaleza

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