O soldado Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque, preso em 2022 por exercer ilegalmente a Medicina no Hospital Municipal de Paraipaba, a 84 quilômetros de Fortaleza, foi demitido da Polícia Militar do Ceará (PMCE). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nessa segunda-feira, 19.
Há três anos, a conduta do PM é investigada pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD), que instaurou um procedimento disciplinar para apurar o caso.
Khlisto era lotado na 2ª Companhia do 23º Batalhão da Polícia Militar, em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
A investigação apontou que o policial se passava por médico sem possuir habilitação, utilizando nomes e registros profissionais falsos para realizar atendimentos clínicos em hospitais do Estado e em unidades de saúde no Rio Grande do Norte.
Além disso, depoimentos testemunhais e lavratura de Boletins de Ocorrência encaminhados ao Ministério Público apontaram a falsificação e uso de receituários prontuários adulterados e atestados médicos falsificados.
Segundo a CGD, as evidências são consideradas robustas e convergentes, demonstrando tanto a materialidade quanto a autoria dos fatos atribuídos ao PM. “Punição adequada à gravidade das condutas, tendo em vista a prática de atos incompatíveis com a função militar estadual”, consta trecho da decisão.
O caso foi denunciado pela prefeita de Paraipaba, Ariana Aquino, que recebeu informações anônimas sobre a suposta falsificação do registro profissional apresentado pelo homem. A prisão dele aconteceu pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE) no dia 16 de julho de 2022.
Durante depoimento, o suspeito alegou que teria cursado Medicina no Paraguai, mas admitiu que não fez a prova do 'revalida', requisito indispensável para o exercício da Medicina no Brasil por profissionais formados no exterior.
Apesar da confissão do PM sobre a ilegalidade do exercício da Medicina, a Justiça concedeu liberdade para o soldado considerando que a prisão seria uma punição excessiva diante do histórico de conduta do militar.
Conduta
Apesar da confissão do PM, a Justiça concedeu liberdade para o soldado considerando que a prisão seria uma punição excessiva diante do histórico de conduta
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