Chegou ao fim nesta terça-feira, 10, as audiências de custódia dos presos por suspeita de participar das brigas de torcida registradas em Fortaleza no último domingo, 8. Conforme o Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), dos 246 custodiados, 231 tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas e 15 foram liberados, sendo que 12 terão de cumprir medidas cautelares.
Com relação aos 113 adolescentes apreendidos, 97 foram liberados na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) e 16 foram apresentados à 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza.
"Para 12 adolescentes foi aplicada medida socioeducativa de liberdade assistida, três tiveram a liberdade decretada e um teve a internação provisória aplicada", informou a nota do TJCE.
Por causa do alto número de autuados, as audiências precisaram ser divididas entre o espaço reservado ao Poder Judiciário na Delegacia de Capturas (Decap), localizada no bairro José Bonifácio; e o Fórum Clóvis Beviláqua, no bairro Edson Queiroz.
O MPCE divulgou que, visando atender à demanda, o número de promotores que atuam nas audiências passou de quatro para 11. Antes, o TJCE já havia informado que ampliou para dez o número de juízes para a presidência das audiências de custódia.
Somente no confronto ocorrido nas proximidades do cruzamento das avenidas Major Assis e Coronel Carvalhos, 165 pessoas foram capturadas. No confronto registrado no Edson Queiroz, a Polícia Militar do Estado (PM-CE) conduziu 103 adultos e 81 adolescentes.
Além disso, foram apreendidos artefatos explosivos artesanais, socos-ingleses, ripas de madeira, assim como entorpecentes e veículos. Três pessoas ficaram feridas e foram socorridas.
A SSPDS afirmou que foi a maior prisão já realizada relativa a confrontos entre torcidas. Uma das decisões de audiência de custódia à qual O POVO teve acesso descreve que, na confusão, algumas chegaram a invadir a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Edson Queiroz para tentar fugir.
Auto de Prisão em Flagrante também aponta que o trânsito ao redor da UPA foi interrompido, prejudicando o atendimento. Para transportar os mais de 100 presos, a PM precisou requisitar dois ônibus à Etufor. Um dos veículos teve a câmera interna quebrada.
No Edson Queiroz, dois homens ficaram feridos e foram socorridos ao Instituto Dr. José Frota (IJF). Os depoimentos deles e dos agentes de segurança que atenderam à ocorrência indicam que eles poderiam ter morrido se não fosse a intervenção policial.
Ambas as vítimas disseram não ser integrantes de torcidas organizadas e que foram surpreendidas quando se encaminhavam ao Castelão. Um deles afirmou que foi surpreendido por uma bomba caseira arremessada próximo de onde estava. Instantes depois, ele diz que passou a ser espancado por diversas pessoas.
“(O declarante afirma que) Acha que está vivo apenas porque a Polícia, (a) composição do Raio (Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas) salvou sua vida. Acha que poderia até ter morrido”, consta no depoimento dele.
Já o outro ferido afirmou apenas que estava indo em direção ao estádio quando algo o atingiu na cabeça. Ele também disse ter "apagado" e acordado já no IJF. Por isso, não saberia dizer quem foram os autores das lesões que sofreu.
Audiências
Por causa do alto número de autuados, as audiências foram divididas entre o espaço reservado ao Poder Judiciário na Delegacia de Capturas (Decap), no bairro José Bonifácio; e o Fórum Clóvis Beviláqua