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Os benefícios dos pets no auxílio a tratamentos de saúde
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Ciência e Saúde

Os benefícios dos pets no auxílio a tratamentos de saúde

Muito mais do que companhias fiéis, os animais de estimação contribuem diretamente para a saúde de seus tutores, auxiliando na redução do estresse e na melhora das funções cardíacas
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Pets proporcionam diversos benefícios à saúde física e mental  (Foto: Fábio Lima)
Foto: Fábio Lima Pets proporcionam diversos benefícios à saúde física e mental

É sempre reconfortante a alegria de chegar em casa e encontrar um companheiro leal à espera. O amor incondicional de um animal pode ir muito além de simplesmente fazer companhia. Eles, inclusive, podem auxiliar no tratamento de doenças. Pesquisas indicam que pets proporcionam efeitos positivos, como a diminuição dos níveis de cortisol (hormônio relacionado ao estresse) e a redução da pressão arterial.

Segundo publicação de 2018 do National Institutes of Health (NIH), principal agência de pesquisa biomédica dos Estados Unidos, a interação com animais é um fator determinante para o bem-estar.

Embora a ciência sobre a interação humano-animal ainda seja relativamente recente e apresente, por vezes, resultados contraditórios, os avanços são notáveis. Pesquisadores investigam como essa relação influencia o desenvolvimento infantil, especialmente em crianças com autismo ou outras condições neurodivergentes.

Um marco na área é o estudo da Dra. Sabrina Schuck, publicado em 2015 no Journal of Attention Disorders, que demonstrou que a terapia assistida por cães promove uma redução significativamente maior na desatenção e melhorias mais rápidas nas habilidades sociais de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

O Papel da Terapia Assistida por Animais (TAA)

Os animais também ajudam como fonte de suporte emocional através da Terapia Assistida por Animais (TAA). De acordo com o projeto Animais Comunitários, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o contato com cães, gatos e cavalos pode aliviar sintomas de ansiedade, depressão e solidão, além de aprimorar o funcionamento cognitivo.

Pelo estudo, o contato com animais pode contribuir para a superação de dificuldades emocionais tanto de crianças, quanto de adultos e em idosos em lares de cuidado, promovendo interação social e bem-estar.

No Brasil, a psiquiatra Dra. Nise da Silveira foi pioneira nessa abordagem na década de 1950. Ao introduzir cães no pátio de um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro, ela observou a redução da agressividade e o resgate da autoestima dos pacientes.

Desde então, a prática se expandiu para incluir métodos como equoterapia, que utiliza cavalos para auxiliar no tratamento de distúrbios motores e psicológicos, e outras modalidades de interação mediada por animais.

Pelo estudo da UFPB, o contato com animais pode contribuir para a superação de dificuldades emocionais tanto de crianças, quanto de adultos e em idosos em lares de cuidado, promovendo interação social e bem-estar.

“Isso ocorre porque a interação estimula a liberação de hormônios do bem-estar, como a oxitocina, a serotonina e a dopamina, além de reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Esse contato nos transmite uma sensação de equilíbrio e responsabilidade por uma vida, gerando benefícios para a saúde humana”, explica Edivânia de Almeida, integrante do projeto Animais Comunitários.

Ela lembra que a presença de um pet ajuda muito na redução do estresse cotidiano. “Após um dia cansativo de trabalho ou estudo, o animal nos ajuda a relaxar e nos acalma. Além de melhorar o humor, a interação com eles nos ajuda a ter foco e torna a rotina mais proveitosa”, pontua.

Na UFPB, além do projeto Animais Comunitários, existe outra iniciativa voltada para terapias com cães, os quais fazem visitas a pacientes no Hospital Universitário.

“Já tivemos casos de psicólogos que recomendaram a adoção de um gato para crianças em tratamento. A mudança é perceptível: a criança deposita suas emoções e sentimentos no animal, alterando a rotina e trazendo regulação emocional para toda a família”, finaliza.

Colaborou Rafael Santana

 

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