É sempre reconfortante a alegria de chegar em casa e encontrar um companheiro leal à espera. O amor incondicional de um animal pode ir muito além de simplesmente fazer companhia. Eles, inclusive, podem auxiliar no tratamento de doenças. Pesquisas indicam que pets proporcionam efeitos positivos, como a diminuição dos níveis de cortisol (hormônio relacionado ao estresse) e a redução da pressão arterial.
Segundo publicação de 2018 do National Institutes of Health (NIH), principal agência de pesquisa biomédica dos Estados Unidos, a interação com animais é um fator determinante para o bem-estar.
Embora a ciência sobre a interação humano-animal ainda seja relativamente recente e apresente, por vezes, resultados contraditórios, os avanços são notáveis. Pesquisadores investigam como essa relação influencia o desenvolvimento infantil, especialmente em crianças com autismo ou outras condições neurodivergentes.
Um marco na área é o estudo da Dra. Sabrina Schuck, publicado em 2015 no Journal of Attention Disorders, que demonstrou que a terapia assistida por cães promove uma redução significativamente maior na desatenção e melhorias mais rápidas nas habilidades sociais de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Os animais também ajudam como fonte de suporte emocional através da Terapia Assistida por Animais (TAA). De acordo com o projeto Animais Comunitários, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o contato com cães, gatos e cavalos pode aliviar sintomas de ansiedade, depressão e solidão, além de aprimorar o funcionamento cognitivo.
Pelo estudo, o contato com animais pode contribuir para a superação de dificuldades emocionais tanto de crianças, quanto de adultos e em idosos em lares de cuidado, promovendo interação social e bem-estar.
No Brasil, a psiquiatra Dra. Nise da Silveira foi pioneira nessa abordagem na década de 1950. Ao introduzir cães no pátio de um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro, ela observou a redução da agressividade e o resgate da autoestima dos pacientes.
Desde então, a prática se expandiu para incluir métodos como equoterapia, que utiliza cavalos para auxiliar no tratamento de distúrbios motores e psicológicos, e outras modalidades de interação mediada por animais.
Pelo estudo da UFPB, o contato com animais pode contribuir para a superação de dificuldades emocionais tanto de crianças, quanto de adultos e em idosos em lares de cuidado, promovendo interação social e bem-estar.
“Isso ocorre porque a interação estimula a liberação de hormônios do bem-estar, como a oxitocina, a serotonina e a dopamina, além de reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Esse contato nos transmite uma sensação de equilíbrio e responsabilidade por uma vida, gerando benefícios para a saúde humana”, explica Edivânia de Almeida, integrante do projeto Animais Comunitários.
Ela lembra que a presença de um pet ajuda muito na redução do estresse cotidiano. “Após um dia cansativo de trabalho ou estudo, o animal nos ajuda a relaxar e nos acalma. Além de melhorar o humor, a interação com eles nos ajuda a ter foco e torna a rotina mais proveitosa”, pontua.
Na UFPB, além do projeto Animais Comunitários, existe outra iniciativa voltada para terapias com cães, os quais fazem visitas a pacientes no Hospital Universitário.
“Já tivemos casos de psicólogos que recomendaram a adoção de um gato para crianças em tratamento. A mudança é perceptível: a criança deposita suas emoções e sentimentos no animal, alterando a rotina e trazendo regulação emocional para toda a família”, finaliza.
Colaborou Rafael Santana