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Estudo revela que carregamos milhões de células da nossa mãe
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Ciência e Saúde

Estudo revela que carregamos milhões de células da nossa mãe

As células maternas atravessam a placenta e permanece no corpo dos filhos pelo resto da vida, fortalecendo o sistema imunológico
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Na gravidez, a placenta não funciona como uma barreira totalmente fechada, o que permite a troca de pequenas quantidades de células entre mãe e bebê (Foto: Freepik)
Foto: Freepik Na gravidez, a placenta não funciona como uma barreira totalmente fechada, o que permite a troca de pequenas quantidades de células entre mãe e bebê

Um estudo da National Library of Medicine revelou que cerca de uma em cada um milhão de células em nosso corpo podem ser de origem materna, ou seja, como o corpo humano tem aproximadamente 30 trilhões de células, isso significa que carregamos milhões de células que não são geneticamente nossas, mas vieram das nossas mães.

O microquimerismo materno, como é conhecido esse processo, ocorre quando pequenas quantidades de células da mãe atravessam a placenta durante a gestação e se instalam no corpo do feto. Na gravidez, a placenta não funciona como uma barreira totalmente fechada, o que permite a troca de pequenas quantidades de células entre mãe e bebê, que conseguem se fixar em diferentes tecidos do embrião e permanecem por toda a vida.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, mostrou também que um grupo muito específico dessas células maternas é essencial para que o sistema imunológico aprenda a tolerá-las, atuando como “mensageiras” e ajudando a ativar os chamados linfócitos T reguladores, responsáveis por impedir reações exageradas, ou seja, ensinando o organismo a não atacar aquilo que é diferente e não é perigoso.

Microquimerismo: a importância para a saúde

Na pesquisa, os pesquisadores conseguiram remover seletivamente essas células maternas específicas em animais, e como resultado, a tolerância imunológica desapareceu e o sistema de defesa passou a reagir de forma inadequada.

Mesmo comprovando a importância dessas células, o estudo abre caminho para investigar o impacto delas em diferentes condições de saúde. Os próprios cientistas reforçam que ainda há muitas perguntas sem resposta, como o do por que essas células ajudam em alguns casos e podem estar associadas a problemas em outros.

Ainda não foi confirmado se elas também conseguem chegar a órgãos mais protegidos, como o cérebro. Mesmo assim, esse legado microscópico, além de criar uma conexão direta com nossas mães que dura por toda a vida, é fundamental para o funcionamento do corpo humano.

Confira como o microquimerismo materno atua no corpo:

  1. Ajuda o sistema imunológico a conviver com diferenças, algo relevante para pesquisas sobre transplantes de órgãos;
  2. Influência no risco ou na proteção contra doenças autoimunes, como lúpus e esclerose múltipla;
  3. Participa de processos de reparo de tecidos, algo que ainda está em análise

 

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