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Árvores e pássaros têm direito à Cidade
Foto de Demitri Túlio
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Repórter especial e cronista do O POVO. Vencedor de mais de 40 prêmios de jornalismo, entre eles Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Embratel, Vladimir Herzog e seis prêmios Esso. É também autor de teatro e de literatura infantil, com mais de dez publicações.

Árvores e pássaros têm direito à Cidade

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Sem querer ser chato... O que os cursos de engenharia e arquitetura ensinam, na prática, sobre convivência ambiental nas Cidades? Falo desses cursos porque os de jornalismo ensinam quase nada.

 

Imagino que os de medicina, enfermagem, fisioterapia, psicologia sequer dizem que toda criança, ou todo ser humano, para ajudar na saúde física e emocional, necessitaria de muitas árvores na vida. Ou uma que o fizesse ser mais biodiverso.

 

E daí, talvez, uma melhor convivência e generosidade com pássaros livres e grilos. Animais que também têm direito à mesma Cidade que dividimos. Ou que, por um acaso ou destino, nascemos simultâneos em algum pedaço da Terra.

 

Mas me intrigam, principalmente, os cursos que têm de lidar com a derrubada de casarões antigos, seus quintais e o projetos para novos empreendimentos.

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Não defendo a interrupção da dinâmica capitalista da Cidade. Não. Isso é ilusão onde se vive. Mas, no sustentável, menos ganância quando se resolve mandar passar a serra elétrica em árvores também habitantes de Fortaleza.

 

É o que já foi autorizado pelo Município para a "supressão", corte mesmo, de 33 árvores entre cajueiros, pés de sapoti e mangueiras onde funcionou por décadas o Parque Recreio.

 

Com a falência do restaurante, velho conhecido de políticos e confraternizações de todo o tipo, ficou o bosque que tranquilamente conviveu com os dois prédios da churrascaria.

 

Por qual motivo, a Frangolândia, nova proprietária do grande terreno de esquina não pode manter as árvores ou a maior parte delas? Que engenheiros e arquitetos são esses que não conseguem projetar o prédio do supermercado preservando que está ali há mais de 50 anos.

 

É porque a gente é um consumidor sem vergonha, mesmo. Tiro por mim. Eu só deveria frequentar supermercados e outros empreendimentos que tivessem árvores em seu derredor ou um pequeno bosque. Jardinzinho que fosse.

 

Só voltei a comprar no Pão de Açúcar da Júlio Ventura com Barão de Studart quando vi que a mangueira gigantesca de lá, quase morta na tora da ignorância, refloresceu.

 

Por sinal, a Frangolândia poderia consultar os engenheiros e arquitetos do Pão de Açúcar da Santos Dumont, o que fica em frente ao hospital Gênesis. Eles construíram um prédio para tocar o negócio, geraram empregos e preservaram várias árvores da época do Colégio São João.Oitizeiros por exemplo.

 

E certeza, as árvores que ficaram ali, amenizam o que é produzido de gases pelo atufalhado de carros da Santos Dumont. Fora que é um prazer dividir as poucas sombras da cidade com periquitos, soins, capinas, bem-te-vis, beija-flores, pitiguaris, iguanas...

 

A nova Frangolândia poderá ganhar simpatia (e mais dinheiro) se conseguir preservar o coletivo de árvores dali. É botar os engenheiros e arquitetos para achar outra solução que não seja o corte fácil dos pés de sapotis, das mangueiras e cajueiros.

 

O irônico da história é que na autorização burocrática da Seuma para derrubarem as 33 árvores, uma das condicionantes ambientais é vistoriar a copa das árvores. Para ver se existem ninhos e evitar a "desinstalação" desses moradores de Fortaleza.

 

Foi feita? Claro que não. Quando a casa de um passarinho, numa árvore, vai ser importante na construção de um empreendimento? Uma piada. Eles também têm direito à Cidade e o supermercado Frangolândia poderia ser exemplo dessa convivência respeitosa e sustentável. Fica a dica!

 

Foto do Demitri Túlio

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