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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

2º turno é oportunidade para o País

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É importante para o País que haja segundo turno. Claro, os aliados de Jair Bolsonaro (PSL) queriam ganhar no primeiro turno. Mas, mesmo para o candidato, há aspecto positivo em a campanha não ter se decidido ontem.

O Brasil está rachado e terá de optar entre extremos. Há grande rejeição a Bolsonaro e também a Fernando Haddad (PT). A definição da eleição não se limita a medir índices de rejeição, mas, sobretudo, saber qual rejeição é maior. Há eleitores que não querem nem um lado nem outro. Mas, têm mais rejeição pelo petista ou por Bolsonaro? Isso começa a decidir a eleição. Só começa.

 

Porque a eleição será mesmo vencida pelo candidato que melhor conseguir dialogar com aqueles que o rejeitam. Se a decisão fosse no primeiro turno, seria por margem muito estreita. A divisão seria profunda. Até o último domingo de outubro, os dois candidatos terão possibilidade de fazer acenos e estabelecer diálogos. Construir uma maioria mais estável, equilibrada e saudável.

 

A divisão política ameaça se transformar em crise social. Antes de eleito, o primeiro ato do próximo governante talvez precise ser construir pontes.

 

O erro das pesquisas, os últimos movimentos e a dinâmica social.

As pesquisas atravessam crise. Talvez reflexo de mudança nas dinâmicas sociais, que as metodologias talvez não acompanhem. Há, claro, impacto dos movimentos de última hora. Mas, isso não explica tudo. Não é problema só do Brasil, vide a eleição de Donald Trump. A situação vem se agravando.

 

Na eleição presidencial, ao menos os institutos têm acertado a ordem dos mais bem colocados e se há ou não segundo turno. Mas, como em 2014, os resultados de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) ficaram fora da margem de erro. Ambos tiveram mais intenções de voto do que indicavam os institutos.

 

Bolsonaro tinha, no sábado, no máximo 41%. Pela margem de erro, podia chegar a 43%. Teve 46%. Fernando Haddad (PT) aparecia com 25%. Podia chegar a 27% pela margem de erro. Teve 29%. Geraldo Alckmin (PSDB), por sua vez, teve em torno da metade das intenções de voto sugeridas pelas pesquisas.

 

Pode-se explicar, não sem razão, por movimentos de última hora. Foi fim de campanha intenso. Voto útil que deixou o tucano para fortalecer Bolsonaro contra Haddad. As pesquisas não cravaram o resultado, mas o erro na disputa presidencial foi dos menores.

 

São Paulo teve erros para Governo e Senado. Minas Gerais também. Rio teve erro considerável para Governo. No Ceará, Eunício Oliveira (MDB) tinha mais que o dobro das intenções de voto de Eduardo Girão (Pros). E perdeu.

 

Crise é a palavra para definir as pesquisas, que não têm conseguido captar adequadamente a dinâmica social. O segundo turno vem com novo e fundamental teste.

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Presidente do Senado é derrotado com campanha blasé

Eduardo Girão protagonizou uma das grandes surpresas eleitorais em muito tempo. Eunício Oliveira (MDB) apostou tudo nas articulações com adversários a quem ofendeu com força. Subestimou o tamanho da ruptura de quatro anos atrás e minimizou os sinais evidentes de traição. Deve estar possesso com o governador Camilo Santana (PT). Que, pessoalmente, engajou-se com força pró-Eunício. Mas, não garantiu que seus aliados fizessem o mesmo.

 

Eunício fiou-se na articulação política e fez uma campanha blasé. Não foi a debates, recusou convite para entrevistas. Reproduziu comportamento de Cid Gomes (PDT), sem ter o mesmo alicerce para tal. Parte da derrota de Eunício se deve ao próprio salto alto.

 

Quanto a Camilo Santana (PT), já vinha olhando para frente. Para o novo governo. Dele falo amanhã.

 

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