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É preciso ir além das aparências

 
Recebi um longo e-mail de uma leitora que se sentiu indignada com a abordagem da matéria “SSPDS e Prefeitura fazem ação contra poluição sonora”, publicada na editoria Radar, dia 27 de maio passado. “Após apresentar números alarmantes de reclamações registrados pela Ciops, a matéria informa os bairros por onde a ação teve início, na periferia! Sem nenhuma consideração: sobre o fato de terem sido esses bairros os escolhidos”. A leitora contava a experiência de já ter ligado várias vezes para a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), queixando-se do barulho de um bar próximo à casa dela e questionava:

“Finalizo perguntando: por que, aqui, bairro de classe média alta, a polícia nem aparece?”


Apesar de ter colocado um problema pessoal no caso, a leitora tem certa razão. Em nenhum momento, o conteúdo aborda o motivo de ter começado a ação por aqueles bairros específicos. Pode até ser que as comunidades visitadas sejam as campeãs em reclamação baseada na Lei do Silêncio, mas o motivo não estava apresentado na matéria. Muitas vezes, estas operações têm resultado pouco efetivo. Servem mais para divulgação da ação das forças de segurança. Por isso, muito mais que pautar a operação, seria necessário apresentar aos leitores o resultado dela. Olhar para além da operação em si. Sem isso, o conteúdo fica incompleto.

Ao enviar o comentário da leitora para a Redação, ainda na segunda-feira, ressaltei que daria para continuar no assunto, até mesmo para responder ao questionamento enviado. Seria essencial ainda buscar o resultado da ação policial e mostrar a opinião dos moradores das áreas. Até a sexta-feira passada, o assunto não havia sido pautado pela Redação. O assunto ficou por isso mesmo.


ERROS NOSSOS DE CADA DIA OU TUDO OUTRA VEZ


O POVO é um dos poucos jornais do Brasil, o outro é a Folha de S.Paulo, que mantém uma seção diária, chamada de Erramos, para corrigir as falhas cometidas na mesma edição ou em edições anteriores. O “Guia de Redação e Estilo” estabelece quais erros devem ser privilegiados na correção: “de informação, créditos, fotos e erros graves de português ou cometidos em títulos e resumos de matérias”. Porém, nem sempre estes erros estão sendo corrigidos, embora os leitores estejam sempre atentos a eles. No mês passado, pelo menos em três ocasiões, falhas detectadas por leitores em títulos deixaram de ser reparadas.

Foi o que ocorreu na edição do dia 21 de maio passado, quando um leitor enviou o seguinte comentário. “Faltou o verbo permanecer”. Na versão impressa, o título era: “Doria defende que PSDB na base”. Realmente faltava algo na informação. Três dias depois, outro usuário enviou a imagem de um título publicado na editoria Mundo. Nele, em vez de grafar ‘colabore’ (“Macri pede que empresa colabore com Justiça”) estava escrito ‘colabora’. Na terça-feira passada (30/5), mais uma vez, um título inadequado foi detectado por um leitor sem que fosse feita a retificação.

Em uma matéria de Economia, no denominado “Especial Água”, no lugar de ‘conta-gotas’ estava escrito ‘conta-contas’, que é uma palavra inexistente em português. O mais grave: nos dois últimos casos citados acima, os erros permaneciam no POVO Online até a sexta-feira passada. O que não se justifica, pois esta é uma plataforma que, por suas características, permite a correção rápida a qualquer hora e momento.


A falta de correção não se limitou aos títulos. No dia 9 de maio passado, o nome do titular da Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado do Ceará (Seplag), Maia Júnior, foi grafado errado em um resumo de matéria (parte que fica logo abaixo do título). Errar nome de entrevistado é um deslize grave. Ninguém gosta de ler seu nome escrito com incorreção, ainda mais em um jornal de grande circulação e de forma tão visível. Pelo menos neste caso, o texto da versão impressa replicado no online foi alterado. No domingo passado, na matéria “Adolfo Caminha. 150 anos do escritor polêmico”, leitor lembrou que ele não havia nascido em 1967, como estava escrito no texto. Na versão online foi corrigido (1867), mas no impresso ainda não. Na terça-feira passada, a matéria “Em defesa das diretas, PDT já considera novas saídas Política”, o leitor detectou que Ciro Gomes foi apontado como cearense quando, na verdade, ele nasceu em Pindamonhagaba (SP).

De acordo com levantamento realizado pelo Banco de Dados do O POVO, apenas oito erros foram corrigidos em maio (ver gráfico elaborado pelo Núcleo de Imagem do O POVO). Também publico, como de praxe, o atendimento ao leitor do mês passado. Vale ressaltar que um jornal sem erros é praticamente impossível; no entanto, ao errar, detectar e corrigir, como prega o Guia de Redação do O POVO, gera confiança no leitor, pois mostra que existe compromisso de se fazer apuração rigorosa de dados.


PARA ACIONAR A OMBUDSMAN


Os leitores das diversas plataformas do O POVO podem entrar em contato com a ouvidoria pelo WhatsApp (85) 988 93 9807; por email (ombudsman@opovo.com.br) e telefone fixo (3255 6181). O leitor pode ainda visitar a ombudsman se necessário. Basta ligar e agendar. 

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