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Transexualidade. Direitos elementares para outras pessoas são negados a transexuais

Travestis e transexuais têm, em regra, direitos básicos negados pela sociedade. Estudar, ter família e envelhecer ainda são desafios que apenas alguns conseguem alcançar
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A chance de existir não é igual entre travestis e transexuais. A trajetória esbarra, quase sempre, na ausência de direitos básicos. Estudar, conseguir emprego, ter uma família... Existir não é tão óbvio quando o corpo e a vida se veem questionados por quem passa ao largo.

 

“A questão é o acesso a esses direitos básicos, que são de todos, mas nem todo mundo tem condição de alcançar. Eles, os direitos, não partem de um ponto de igualdade”, expõe a escritora e pesquisadora transexual Helena Vieira. “As negações se dão de muitas formas”, completa.


A educação é uma das dificuldades, diz Helena. Concluir o ensino fundamental, por exemplo, é desafio para travestis e transexuais. Elas são expostas a série de constrangimentos que vão desde o desrespeito aos nomes sociais até as humilhações cometidas pelos demais estudantes.


A redução da autoestima leva ao abandono da escola. Sem formação, fica difícil a inclusão no mercado de trabalho, onde os transexuais também encontram barreiras. “Nesse caso, existem desde os problemas com a documentação (não retificadas ao nome social) até o próprio estigma causado pelo medo de ‘pegar mal’ pra empresa o fato de ter uma travesti no quadro de funcionários. As empresas não são inclusivas”, arremata Helena.


Para Rafael Olegário, presidente da Associação Transmasculina do Ceará (Atrasce), o mercado de trabalho discrimina. Ele, inclusive, passou por situação em que foi coagido a se vestir como mulher para poder trabalhar em uma empresa. Rafael não aceitou. “Isso é uma violência”, protesta.


As dificuldades também chegam ao acesso à saúde, com a ausência de atendimento às necessidades específicas, como a hormonização, chegando até o direito de ter família. Muitos dos transexuais são expulsos de casa e têm os vínculos familiares cortados.


O POVO foi em busca de histórias de transexuais que tiveram a chance de ter a garantia de alguns direitos básicos. A influência de ter o direito à educação, à família e a existir costuram as trajetórias de gente que se viu livre para ser o que se é.

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