Fortalezense, casada, mãe de três filhos, evangelizadora católica, cantora, compositora, missionária no Brasil e no Exterior. Ticiana de Paula está há 24 anos na Comunidade Católica Missionária Um Novo Caminho mas só recentemente passou a fazer transmissões ao vivo pelo Instagram para rezar o Terço da Misericórdia. As lives acontecem diariamente, às 15 horas, e tem reunido milhares de pessoas que buscam na fé na oração a força para suportar o momento de dor e luto causado pela pandemia do novo coronavírus.
O perfil criado em 2013 na rede social para apresentar o álbum "Crer", o primeiro da carreira, divulga também o trabalho mais recente, "Livre", lançado neste ano. Em entrevista ao O POVO, ela fala não somente do alcance e repercussão das lives do Terço, mas também da expectativa de que o momento atual transforme permanentemente o coração das pessoas em relação à palavra de Deus.
O POVO - Como surgiu a ideia de fazer as lives para rezar o Terço da Misericórdia?
Ticiana - Não foi uma coisa planejada. A tia do meu esposo estava enferma e decidi fazer uma oração no instagram para que a família e os amigos pudessem rezar por ela juntos. Mas aí foi tomando uma proporção muito maior, porque isso era uma coisa que outras famílias também queriam fazer mas não sabiam como. As lives começaram com 30 pessoas assistindo e depois teve transmissão até com quatro mil. Nesses três meses, desde o início da pandemia, tenho feito lives diárias, às três da tarde, na hora da misericórdia, e percebo que as pessoas têm marcado de se encontrar lá e se sentirem unidas de novo.
O POVO - Nestes três meses de live, você percebeu alguma mudança no público?
Ticiana - Muitas. Há muita sede de Deus e de consolo. As pessoas têm se aberto mais, querem ser ouvidas e acolhidas. A gente não tem ideia da realidade de cada uma delas, de como elas vivem. Eu acompanhei a vida de pessoas que nunca vi. Colocava nomes no meu caderninho de oração e a cada nome de uma pessoa enferma que eu riscava, eu sentia o luto. Percebo que as pessoas querem se abrir ao amor de Deus e espero que não fique só nesse período. Rezar é algo absolutamente normal, mas antes a gente notava um certo preconceito. Hoje isso tem diminuído, as pessoas não têm vergonha nem de pedir oração nem de dizer que estão rezando.
O POVO - O seu Instagram não é relacionado apenas à evangelização, pois vi que também tem uns stories de maquiagem e penteados de cabelo. Você se considera também uma influenciadora digital?
Ticiana - De jeito nenhum. Não sou sou blogueira (risos). Quando recebi o chamado de Deus para evangelizar, tive que deixar a minha timidez de lado. O que acontece é que as pessoas se identificam comigo e eu interajo com elas. Já fiz lives para algumas marcas e empresas nesse período, o que aumentou o alcance, mas é só isso. Minha vida é real, sou uma mulher que trabalha, que é mãe, esposa, filha, que tem todas as atribulações de uma mulher da vida moderna e que tem uma relação com Deus que a faz transbordar e cumprir o chamado, porque evangelizar é cumprir um chamado. E ele toma cada vez mais espaço na minha vida.