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Andrezza Rodrigues: protagonismo feminino em finanças

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Andrezza Rodrigues, fundadora da HerMoney (Foto: Carol Avila/ Divulgação)
Foto: Carol Avila/ Divulgação Andrezza Rodrigues, fundadora da HerMoney

Em uma só rodada de captação, um hub de investimentos com objetivo de conectar startups inovadoras lideradas por mulheres a investidores em busca de retorno financeiro conseguiu R$ 600 mil. A vitória foi da startup HerMoney, que tem à frente a cearense Andrezza Rodrigues, junto a um grupo de "investidores anjo" liberados pela Wishe.

Andrezza, fundadora da HerMoney, define a empresa como uma assistente financeira, uma ferramenta de protagonismo feminino.

O POVO - Como nasceu a ideia da HerMoney?

Andrezza Rodrigues - A HerMoney surgiu primeiro do cruzamento das minhas experiências como usuária de serviços tecnológicos de gestão financeira e das queixas do mau relacionamento com o dinheiro que ouvi de muitas mulheres em meu ciclo social. Até que no final de 2019, ao buscar e não encontrar empresas que tivessem esse foco: finanças e equidade de gênero, o insight veio! Analisei que mesmo com a evolução tecnológica de muitos desses serviços a entrega do produto ainda era a mesma. Percebi com base em vários estudos que o mercado empreendedor feminino está em um acelerado crescimento trazendo junto necessidades muito específicas e que, por isso, ao se deparar com esses produtos se sentem sub atendidas. 

Para confirmar essas dores conversei pessoalmente com mais de 60 mulheres e absolutamente todas se posicionaram insatisfeitas com a sua rotina empreendedora, com as ferramentas que conheciam até o momento. Aí, quando eu falava de como a HerMoney seria, diziam que pagariam imediatamente por essa solução.

Foi com base na escuta dessas dores e no comportamento do mercado que fizemos a plataforma. Na HerMoney, através de um alto nível de automação e inteligência de dados, as empreendedoras conseguem dominar as suas finanças investindo muito pouco do seu tempo nisso e portanto podendo focar mais em seus negócios, família e em si mesmas. . 

OP- Como a startup tem atraído as empreendedoras? O movimento de reunir essas mulheres foi desafiador?

Andrezza - Quando lançamos a plataforma o interesse foi muito rápido e crescente, mesmo com um lançamento orgânico saímos de 0 a 17 assinantes, com um ticket médio de R$ 200 em dois meses. Crescemos 600% em 2020 e, neste momento, tem sido mais desafiador porque estamos focadas numa meta bem ousada que é alcançar ainda mais algumas empresas. Para nos ajudar nisso temos uma estratégia que lançaremos em abril um formato gratuito temporário da plataforma.

OP - Hoje a HerMoney tem 55 clientes, quando o Brasil tem milhões de mulheres investindo no setor de serviços. O que falta para a startup de finanças decolar?

Andrezza - Até o final do ano tínhamos algumas limitações para desenvolver uma estrutura tecnológica que suportasse a alta demanda de procura pelo nosso produto, mas isso foi resolvido com as primeiras fases da captação de um investimento que fizemos. Agora é acompanhar, mês a mês, a evolução da plataforma, que está acelerando e aos poucos impactando comunidades maiores até impactar uma fatia maior desse mercado.

OP - Recentemente, foi anunciada a captação de R$ 600 mil para a HerMoney de um grupo de "anjos". Como a fintech planeja usar os recursos que vão surgir?

Andrezza - Quase que a totalidade desse investimento vai para desenvolvimento da nossa própria tecnologia e inteligência de dados, além disso estamos investindo de forma estratégica em experiência para que as usuárias além de um produto tecnológico super conveniente para as suas necessidades, recebam uma comunicação fácil, se sintam acolhidas e rompam com a crença de que finanças não é para mulher. Para isso construímos um time que trata diretamente com a experiência do consumidor, composto por mulheres especialistas em finanças e atendimento, que com o auxílio de tecnologias conseguem guiar nossas clientes por uma jornada humanizada e de assistência.

OP - A senhora coloca que a HerMoney é "mais que uma assistente financeira, é uma ferramenta de protagonismo feminino”. O que ainda é desafiador às mulheres que querem empreender no País?

Andrezza - Devido a todo nosso contexto cultural e social existem muitas barreiras para as mulheres, mas quando falamos de finanças há 3 grandes problemas que elas enfrentam: 1) falta de conhecimento, 2) falta de tempo - mulheres empreendem e em paralelo exercem múltiplas jornadas e outras funções diárias, 3) falta de estrutura - boa parte empreende por necessidade de sustentar a se a família, faz isso com limitações de recursos então focam todo seu tempo e energia em trazer vendas e fazer a operação girar. Por isso, quando nossa plataforma assume parte dessa operação, ajudando-as no controle de suas finanças de forma segura, profissional e rápida. A HerMoney proporciona muita clareza dos resultados da empresa, assim, a empreendedora conhece a capacidade de produção da empresa e consegue tomar decisões de forma mais assertiva. A sensação de ser protagonista vem a partir desse movimento.

 

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