Hoje, aos 47 anos, Eurijane Torres de Menezes está aposentada, em virtude de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico com transformação hemorrágica que teve dez anos atrás.
"Sempre foi muito ativa, era professora de inglês, formada em Direito. Tinha biotipo magro, gostava de atividade física, de forma inconstante, casada, três filhos e era conhecida como a estressada na família", relembra.
Por ter tido muitas sequelas, a irmã Aline Torres, a auxiliou com as respostas. Eurijane teve uma extensa lesão cerebral à esquerda. Na parte motora ficou com hemiplegia a direita, por isso, ela anda com o auxílio de uma órtese no pé para ajudar a movimentação dando mais estabilidade no caminhar.
A mão direita é bem comprometida, mas consegue movimentar o braço num grau de moderado a severo de dificuldade. A área da lesão também comprometeu a fala e a linguagem. Ela se comunica com frases simples e usa palavras aleatórias para contar histórias.
Segundo a irmã, ela sabe o que quer falar, mas não consegue acessar as palavras, perde conectivos nas frases. Tem compreensão e memória preservadas, mas não escreve.
O que a salvou foi o atendimento rápido e toda con-
duta médica.
As primeiras 48 horas foram indescritíveis e eram decisivas para ela resistir. Pelo tamanho da lesão cerebral, a perspectiva não era das melhores.
"Foram 12 dias de UTI, uma craniectomia, para descomprimir o cérebro, e mais uns 30 dias de internação hospitalar com algumas intercorrências, muita fé, oração e união, e todo empenho de uma equipe médica e interdisciplinar acompanhando tudo", detalha Aline.
A alta hospitalar era apenas uma nova etapa. Porque a partir dali, começava uma nova jornada de reabilitação e adaptação a uma nova realidade de vida. A vida da Eurijane mudou 100%, ela precisou reaprender praticamente tudo. Aline conta que devido o acometimento da fala e da linguagem, ela precisou se aposentar.
"Porém, é impressionante a forma que ela se reorganizou e lutou para se encaixar no novo padrão de vida, procurando a independência nas pequenas atividades do cotidiano", diz a irmã de Eurijane.
Pelo histórico dela, o caso foi considerado "uma fatalidade". Ela não apresentava sinais ou sintomas para passar pelo que passou. "A Eurijane é uma grande guerreira", finaliza Aline.