Economia

Rio cocó revitalização custaria R$ 400 mi

Medidas contemplam despoluição da água do rio, proteção da nascente, redes de coleta e políticas de resíduos sólidos. Além do benefício ambiental, ações valorizariam imóveis próximos ao Cocó
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A poluição e o descaso tomam conta dos quase 50 km do Rio Cocó. Em meio à água turva carregada de efluentes domésticos e industriais, é possível enxergar uma solução. O custo: R$ 400 milhões para o Estado. É o que aponta um levantamento preliminar do Instituto Água (IA), entidade cearense sem fins lucrativos que estuda a escassez e a contaminação da água. “É preciso pensar em desocupações, implantação de redes de coletas de esgoto, reflorestamento, proteção da nascente e uma política de resíduos sólidos”, explica o engenheiro José Júlio Sales, presidente do IA.

[SAIBAMAIS]

O estudo tem como base a revitalização de outros rios urbanos de trechos curtos (até 50 km) em Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No total, 20 rios foram analisados. O Cocó não entrou na análise. José Júlio explica que os números são frutos de uma projeção por analogia com outros rios.


O valor estimado pode aumentar. O fator que mais demandaria tempo e recursos seria o diagnóstico da poluição. “Os pontos localizados são mais fáceis de mapear. Já os difusos, como uma indústria ou comércio que despejam resíduos, precisam de um plano mais demorado e persistente”, explica. As políticas públicas para saneamento básico também entram no rol de prioridades.


Júlio explica que o sucesso do projeto dependeria de uma política ambiental que não sofra com interferência de governos. “Se as medidas forem tomadas e os próximos governos não descontinuarem o plano, em 10 anos o Rio sairá da situação de degradação. Os resultados seriam palpáveis já nos primeiros cinco anos”, diz.

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O impacto, na esfera econômica, seria privilegiar o potencial turístico da região. A valorização dos imóveis no entorno, especialmente no traçado do Cocó, aumentaria. “Temos aspectos do ponto de vista do turismo e imobiliário que podem atrair a iniciativa privada para os projetos, mas dentro da área que é permitida”, aponta. A despoluição, com a consequente balneabilidade e navegabilidade, mudaria o olhar sobre o rio. “Não é difícil pensar na instalação de redes de hotéis, atraídos pela qualidade do Cocó” considera.


A iniciativa privada, aliás, poderia bancar a revitalização de trechos específicos. “A contribuição para o Ceará, em termos ambientais, seria inestimável”, disse.

 

Segundo semestre

O processo de despoluição do Rio Cocó, bem como a requalificação, terá início ainda em 2017, após a demarcação oficial do parque prevista para o dia 4 de junho. É o que garante Artur Bruno, titular da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema). “Obviamente que o rio é poluído com o despejo de resíduos sólidos, além dos problemas de ocupações indevidas. Faremos fiscalizações para diagnosticarmos os esgotos clandestinos. É um trabalho que envolve também os municípios”, explica. Maracanaú, Fortaleza, Itatinga e Maracanaú são as localidades banhadas pelo Cocó.

 

O Estado irá desenvolver um plano de manejo para definir as ações futuras. Outra proposição é o Pacto pelo Cocó, que busca viabilizar soluções para as áreas afetadas nos municípios. Mas o prazo de requalificação, assim como valores, seguem indefinidos. “Tudo vai começar este ano. Falar de prazos é difícil. Nosso objetivo é resolver o problema”, diz Artur Bruno.


Márcio Pinheiro, presidente da Autarquia Municipal de Meio Ambiente de Pacatuba, afirma que as ações para evitar a degradação, especialmente na região do Balneário das Andréas, foram as instalações de fossas sépticas. “Elas coletam os resíduos dos quiosques e do esgoto dos banheiros”, afirma. Há um projeto de reflorestamento da margem do rio e conscientização da população.


A Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), disse ao O POVO que a jurisprudência do Cocó compete ao Estado. As prefeituras de Itaitinga e Maracanaú foram procuradas para tratar de programas de despoluição do rio Cocó. Não houve retorno das ligações até o fechamento da edição.

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