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O adeus ao Capitão Fujita
Economia

O adeus ao Capitão Fujita

Idealizador do Jardim Japonês, João Batista Fujita foi fundador da Associação das Empresas Construtoras do Ceará (Assecon) e diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
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JOÃO Batista Fujita  (Foto: Sara Maia, em 30/12/2014)
Foto: Sara Maia, em 30/12/2014 JOÃO Batista Fujita

O empresário João Batista Fujita, o Capitão Fujita, morreu ontem aos 84 anos, em Fortaleza. Ele lutava contra uma doença degenerativa e contraiu a Covid-19. Não haverá velório em razão do decreto estadual que prevê o sepultamento imediato de vítimas fatais da doença.

Durante o tratamento, Fujita esteve internado no Hospital Monte Klinikum, na Aldeota. A fatalidade gerou comoção no empresariado local, sobretudo, no setor da construção civil, por ser conhecido pela sua atuação visionária no segmento imobiliário.

Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Ceará (Sinduscon-CE), destaca que ele deixa um grande legado para o Ceará. "Recebemos a notícia com muito pesar. O Capitão foi muito inovador para a época. Ao mesmo tempo em que gerava muitos empregos, apresentava muitas tecnologias", disse.

Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), reitera. "Era um ser humano espetacular, que soube, por toda sua vida, cativar amizades verdadeiras. Perde o Ceará um dos seus maiores empresários da construção civil. A Fiec está de luto pela partida deste querido amigo", lamentou.

Em nota, a entidade lembrou a trajetória do empresário de sucesso que entregou relevantes obras na área habitacional e foi responsável pela construção e modernização de diversos equipamentos públicos. "Como representante classista, atuou na fundação e primeira Presidência da Associação das Empresas Construtoras do Ceará (Assecon); foi diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); e presidente do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro", enumera.

Fujita foi filho do primeiro imigrante japonês do Ceará. Em entrevista às Páginas Azuis do O POVO, em 2008, o empresário e capitão da reserva do Exército contou sobre a experiência na infância, da relação com a família e do início da trajetória empresarial.

Ao relatar sobre o encontro entre seu pai e sua mãe, que era cearense, disse que "o amor é um idioma que qualquer um fala".

Dentre as recordações marcantes da infância, contou sobre sua primeira experiência com as finanças. "No meu tempo de menino, na juventude, eu fazia a entrega de frutas e verduras nas casas. Era um papel meu. Em 1951, mais ou menos, conheci o Demócrito (foi presidente do O POVO e faleceu em abril de 2008). Fui a casa dele deixar umas encomendas. Gostava muito de lá", revisitou o passado. 

"Sempre que ia Dona Lúcia me dava mil réis. Eu achava bom demais e eu e meu irmão brigávamos para decidir quem ia lá. Uma dia fui fazer uma entrega e o Demócrito estava andando em um jeep de pedalinho. Eu era louco para ter um, para ter um sapato, Ave Maria! Aí cheguei pra ele e pedi para dar uma voltinha. Ele deixou. Agradeci muito. Algumas casas me tratavam muito bem outras me maltratavam. Tinha uma que eu chegava lá umas sete horas e diziam que a dona estava dormindo. Dava dez horas e eu lá esperando lá fora com minha cestinha. Pra mim foi muito bom porque aprendi muito", disse à época.

 

FORTALEZA, CE, BRASIL, 04-02-2020: Patriolino Dias, presidente do Sinduscon.  Entrevista para o jornal O POVO. (Foto: Fabio Lima/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 04-02-2020: Patriolino Dias, presidente do Sinduscon. Entrevista para o jornal O POVO. (Foto: Fabio Lima/O POVO)

Sobre um legado de belas ações

“Recebemos com muito pesar a notícia com muito pesar. A perda do Capitão, além de representar uma dor imensa para os familiares e amigos, é para nós, que fazemos parte do setor. Ele sempre foi uma pessoa muito alegre e querida, um visionário da construção civil. O Capitão foi muito inovador para a época dele, ele tinha uma empresa que gerava muitos empregos, mas apresentava muita tecnologia. Ele tem um legado de belas ações”

 

Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Ceará (Sinduscon-CE)

 

Ricardo Cavalcante, da FIEC
Ricardo Cavalcante, da FIEC

"Um ser humano espetacular"

“João Batista Fujita, ou capitão Fujita, como era carinhosamente chamado, foi um empresário visionário. Um dos maiores construtores do Ceará, a sua empresa, a Construtora Estrela, realizou milhares de construções em todo Brasil, principalmente de casas populares. Era um ser humano espetacular e que soube por toda sua vida cativar amizades verdadeiras! Perde o Ceará um dos seus maiores empresários da construção civil. A Fiec está de luto pela partida deste querido amigo”.

 

Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

Trajetória

Aos 17 anos, entrou na Escola Preparatória de Fortaleza e continuou a carreira na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) até conquistar a patente de Capitão

Em 1969, fundou a Construtora Estrela. O empreendimento alcançou grande destaque e realizou obras em diversos estados brasileiros, totalizando 50 mil unidades.

Foi fundador e primeiro presidente da Assecon, foi diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e presidente do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro

Em 1993,estava atuando em vários estados do Nordeste, além de São Paulo e Pará. Dentre as obras, estão a reforma e ampliação do Hospital Geral de Fortaleza, da Maternidade César Cals e do Hospital dos Servidores do Maranhão e da Construção do Hospital Regional do Cariri. Além disso, do Estádio Presidente Vargas e dos Cucas I e V.

Em 2007, encabeçou o projeto do Jardim Japonês, para os 100 anos da imigração japonesa no Brasil.

Em 2008, Capitão Fujita assume a consultora da empresa e transfere o comando para os filhos.

Em 2011, recebeu a Medalha do Mérito Industrial, conferida
pela Fiec.

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