Economia

80% dos bares e restaurantes do Ceará pediram empréstimo, mas 50% não conseguiram, diz Abrasel

Esperança de reequilíbrio dos caixas com a retomada das atividades é de seis meses, segundo levantamento
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DOS 50% DO SETOR que não conseguiram crédito, 21% não receberam justificativa (Foto: Barbara Moira)
Foto: Barbara Moira DOS 50% DO SETOR que não conseguiram crédito, 21% não receberam justificativa

Um total de 79% das empresas cearenses registradas na Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE) retornaram as atividades na pandemia. O dado é de pesquisa da entidade com 1.500 empresários de todo o País no fim de agosto. Mesmo a média do Estado acima da nacional (73%), o setor de alimentação fora do lar segue afetado pela crise. No Ceará, as possibilidades de empréstimo foram vistas como um alívio para 80% dos empresários que tentaram algum financiamento. Entretanto, deste percentual, 50% não conseguiram o dinheiro.

"Muitos, no entanto, fecharam de modo definitivo, por isso nem responderam à pesquisa. Outros só estão abrindo agora, após seis meses, com enormes restrições. E o faturamento está abaixo do esperado para a grande maioria", destaca o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

Três segmentos no Estado foram os que mais sofreram com as mudanças e perdas financeiras: serviço à la carte (31%), lojas de rua (73%) e micro ou pequenas empresas (89%). No Ceará, os estabelecimentos de alimentação fora do lar estão trabalhando em média com menos de 53% dos funcionários que tinham antes da pandemia e outros 63% não pretendem contratar novos colaboradores no momento, mesmo com a retomada das atividades.

O faturamento abaixo do esperado pode ser um dos empecilhos: um total de 55% dos empresários cearenses relatam que o balanço em setembro será negativo, no qual destes, 39% preveem seis meses para reequilibrar o caixa. No Estado, apenas 38% afirmam ter conseguido manter ou aumentar o tíquete médio de consumo, em relação ao período pré-crise. Para 57%, o faturamento tem sido abaixo do esperado.

Para o diretor-executivo da Abrasel Ceará, Taiene Righetto, o baixo faturamento está atrelado à reabertura de mercado - o que ainda não aconteceu em sua totalidade no Estado - e às mudanças do cliente. "Toda a população sofreu um impacto grande, porque o povo está sem dinheiro e o consumo não vai ser o mesmo", destaca. 

Já no País, segundo a pesquisa, bares e restaurantes estão trabalhando em média com menos de 50% dos funcionários que tinham antes da crise. Enquanto 64% dos entrevistados dizem que não irão recontratar imediatamente.

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Capital de giro é o maior desafio

Em pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Abrasel realizada no Brasil entre os dias 27 de julho a 6 de agosto, um total de 63% dos entrevistados consideraram o capital de giro como o maior desafio durante a retomada, seguido pela preocupação com o comportamento do consumidor com 32%. O recurso é a diferença entre os valores disponíveis em caixa e a soma das despesas e contas a pagar.

"Esse é o problema central da retomada. Como estamos paralisados há quase seis meses, as pessoas não tiveram como repor seus estoques", cita Taiene. "Essas exigências feitas pelos bancos tiveram as exigências de grandes indústrias, com bens de garantia e faturamentos enormes. Nós não temos isso."

De acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a alimentação fora do lar é uma das atividades com maior concentração de empreendedores no País. Com Fortaleza na quarta fase da reabertura econômica, o segmento ainda funciona com restrições de horários e capacidade reduzida. Já as macrorregiões de Sobral, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe também avançaram hoje para a fase 4, enquanto a macrorregião do Cariri entra na fase 3 do processo.

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