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Hospitais particulares de Fortaleza estão em colapso, diz Dr. Cabeto
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Hospitais particulares de Fortaleza estão em colapso, diz Dr. Cabeto

| SISTEMA DE SAÚDE | Com o agravamento da situação dos hospitais, o esgotamento é iminente para o sistema de saúde de todo o Estado. Conforme especialistas, é preciso "parar tudo" para evitar mais mortes
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Números foram atualizados pela Secretaria da Saúde do Estado, neste sábado, 13 (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Números foram atualizados pela Secretaria da Saúde do Estado, neste sábado, 13

O prognóstico para o Ceará é grave. O colapso é iminente para o sistema de saúde de todo o Estado. Conforme Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, titular da Secretaria de saúde do Estado (Sesa), essa situação já é realidade no sistema particular de Fortaleza. Com o aumento de mortes em decorrência da Covid-19, o Estado está em processo de dispensa de licitação para a compra de oito câmaras frigoríficas, do tipo containers, para armazenar cadáveres. Conforme especialistas em epidemiologia e gestão em saúde, é preciso "parar tudo" para evitar que a crise seja generalizada.

Segundo o gestor, unidades privadas têm pedido ajuda ao Estado ante à situação de criticidade do sistema. Nós vimos hoje hospitais privados, todos hospitais privados de Fortaleza estão em colapso, 100% deles. Diariamente, eu tenho solicitações para ajudar, para colaborar", afirmou em transmissão ao vivo durante montagem de unidades de campanha do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Serão três tendas anexas, com capacidade para 103 leitos no total.

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Para garantir que pacientes dos municípios necessitários possam ser transferidas em tempo hábil, o Estado "tem mudado toda a sua regra de funcionamento, ajustando ocupação e dimensionamento de leitos", detalhou Dr. Cabeto. O médico afirmou ainda que o mais importante agora é "essa integração do Ceará como um todo." No Estado, a taxa de ocupação de UTIs é de 91,8%.

Além do aumento de casos da doença, os pacientes estão ficando com quadro agravado mais cedo e necessitando de mais tempo de internação, observa a epidemiologista Lígia Kerr, professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (Famed- UFC). "Estamos em lockdown mas tem muita coisa aberta ainda. E era para ter acontecido há mais tempo, ter começado antes. Não era para ter chegado nesse ponto", avalia a médica, que integra Comitê Científico do Consórcio Nordeste. "Mas entendo a situação de ter toda a responsabilidade do Governo Federal jogada no colo de prefeitos e governadores", pondera.

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Além dos estabelecimentos que estão funcionando ilegalmente, ela aponta que setores atualmente autorizados também deveriam parar. "Tem que parar tudo. Se a gente parar tudo agora, não para a transmissão ainda. Tem lugares proibidos funcionando e com isso a redução vai ser limitada. Se você tem um lockdown limitado, você terá um resultado limitado", compara.

"Quando a gente fala de um sistema de saúde do que a gente tá falando? Quando eu tenho mais gente para ser atendida do que capacidade de atendimento. Se tem gente para ser atendida e não tem leito, é um colapso", define Walter Cintra Ferreira, médico sanitarista e professor de Gestão de Serviços de Saúde da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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"Temos agora uma situação de gente que foi contaminada há pelo menos duas semanas. A gente só vai perceber a queda no número de casas daqui a duas semanas", situa sobre o lockdown em vigor no Estado. Ele frisa que a única maneira é reduzir drasticamente o número de casos e, consequentemente, a lotação das unidades de saúde, é o lockdown e um ritmo mais rápido de vacinação. "Para cortar a transmissão do vírus tem que cortar a mobilização de pessoas. Comparo a pandemia a uma mobilização de guerra. Tem que fornecer recursos como comida e recursos públicos", destaca.

Cintra avalia que uma restrição que exclui setores como indústria e construção civil são "demagogia" ou "fraqueza política". "Estamos em uma situação muito difícil até por força dos posicionamentos do Governo Federal. A situação que estamos vivendo não é imprevisível. Cansaram de avisar que ia acontecer. Governo Bolsonaro é o grande criminoso", relaciona.

 

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