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Os (grandes) desafios impostos ao trabalhador
Economia

Os (grandes) desafios impostos ao trabalhador

Análise. Cenários.
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A análise do momento do mercado de trabalho num contexto mais amplo não é confortável. Um grande desafio continua sendo a perda de espaço do mercado formal e a precarização do trabalho. De acordo com os dados divulgados ontem pelo IBGE, o emprego com carteira assinada sofreu um tombo de 11,7% no trimestre entre dezembro e fevereiro frente ao mesmo período do ano passado. A taxa de informalidade subiu para 39,6% da população ocupada e impacta 34 milhões de trabalhadores.

A pandemia foi fator impactante, mas a crise do emprego vem de antes. Desde 2016, o índice de desemprego tanto no Brasil quanto no Ceará está acima de 10%. Atualmente batem recorde, no Brasil com 14,4%, segundo os dados mais recentes, e o Ceará com o mesmo percentual - só que no fechamento de 2020, pois não há dados mais recentes divulgados.

A pandemia foi um potencializador da crise que se estende desde 2016, destaca o analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita. Ele ainda afirma que, mesmo recuperando o saldo de empregos perdidos no início da pandemia e até superando o número ao fim de 2020, a geração de empregos formais é de menor rendimento.

Os dados do IBGE revelam que 3 em cada 4 contratações no Ceará no período da pandemia em 2020 envolve salários que não passam da média de R$ 1.400. Erle analisa que a falta de uma ação coordenada e as tensões políticas em torno do combate à pandemia, atrasam a retomada econômica e, por consequência, a retomada do mercado de trabalho.

A realidade atual do perfil do mercado de trabalho formal é que os empregos gerados têm sido para profissionais de até 25 anos. Nas demais faixas etárias o saldo é negativo. Esse, no entanto, é o começo de um "paradoxo", pois os mais jovens também são os mais impactados com a alta rotatividade do mercado. E isso não está relacionado somente com os aspectos estereotipados em torno da geração do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. "A situação do Brasil é vista com cautela pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) desde a aprovação da reforma trabalhista. O cenário é bem adverso, pela conjuntura política, econômica e sanitária que impõe dificuldades aos trabalhadores", diz. 

 

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