Economia

Câmara Brasil Argentina no Ceará: Pecém mira novas rotas marítimas e melhores condições de frete

Objetivo é fortalecer relações comerciais do Ceará com Argentina e parceiros, aumentando a influência e potencial de recepção de investimentos do Estado
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Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil e Argentina no Ceará potencializa capacidade de investimento estrangeiro no Estado (Foto: Jr Panela/Divulgação Fecomércio)
Foto: Jr Panela/Divulgação Fecomércio Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil e Argentina no Ceará potencializa capacidade de investimento estrangeiro no Estado

Consolidada em Assembleia Geral na manhã desta quinta-feira, 12 agosto, a Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil Argentina instalada no Ceará (CBACE) representa uma porta de entrada para novos investimentos no Estado.

Além dos benefícios imediatos, a existência da entidade representa uma ampliação do hub de comércio exterior no Estado e potencializa a penetrabilidade de negócios cearenses nos países da América Latina, com novas rotas para o Pecém e melhores condições de frete. 

Argentina representa o terceiro maior parceiro comercial do Ceará e, por meio da nova entidade, o Complexo do Pecém (Cipp), em São Gonçalo do Amarante, visa construir no Estado a principal porta de entrada de produtos argentinos no País.

Entre os pontos almejados estão a ampliação das rotas marítimas entre Ceará e Argentina e ainda a construção de tabelas de frete com condições especiais devido à parceria comercial por meio da Câmara.

A estratégia é que tanto estados vizinhos como demais regiões do Brasil vejam no porto do Pecém um caminho direto para a Argentina e parceiros comerciais do país vizinho.

"Temos consolidado aqui um modal marítimo super estratégico, com um hub logístico bem desenvolvido, então eu concordo que a gente tem que se ver no mundo, assim, sendo referência no mundo, não só no Nordeste ou no Brasil", comenta a diretora diretora de Relações Institucionais do Complexo do Pecém, Rebeca Oliveira. 

A fortificação da rota comercial com desembarque direto no Ceará permitirá ainda que empresas locais que comprem produtos ou contratem serviços vindos da Argentina, por meio de intermediários do eixo Rio-São Paulo, rompam tais contratos e formalizem negociações diretamente com as empresas do país vizinho, com apoio da Câmara, permitindo um eventual preço mais acessível ao consumidor final

E para além do fluxo de mercadorias, entidades de desenvolvimento regionais, como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Juazeiro do Norte, na região do Cariri, buscam aumentar a participação dos polos econômicos do interior do Ceará no processo de internacionalização da economia cearense.

Por meio de condições de incentivo, busca-se na Câmara um mediador para instalação de empresas argentinas no interior do Estado e a consolidação de parcerias de microempreendedores e empresas de médio e pequeno porte com a microeconomia de cidades da Argentina. 

O recém-eleito presidente da entidade, Rômulo Alexandre Soares, destaca que, por meio da consolidação dos hubs de desenvolvimento no Estado, e com uma articulação comercial entre as demais Câmaras de relações exteriores instaladas no Ceará, a economia cearense ganha capacidade de despontar como referência no potencial de recepção de investimentos para todos os países da América Latina, por meio de um plano de desenvolvimento comercial globalizado.

"Pode-se dizer que essa é a primeira Câmara de desenvolvimento sul-americana no Ceará. Estado não pode mais pensar em sua economia apenas regionalmente, somos um entreposto das rotas de mercadoria, dados, comercial da América do Sul para mercado consumidor em expansão na África, e para empresas da Europa", define. 

O ponto de partida dessa visão globalizada da economia cearense é a consolidação do Estado no centro de desenvolvimento estruturado, interligando os setores econômicos atuantes no Ceará e em seus parceiros comerciais, com outras eventuais parcerias de investimento.   

"Estado do Ceará tem hub logístico com os dois portos e o aeroporto. Nós temos a tecnologia e nós temos gente, que é nosso hub de educação, que faz com que a gente esteja preparado para receber qualquer tipo de negócio com pessoas extremamente preparadas para assumir grandes negócios", reforça Rebeca. 

Assim, a missão inicial da Câmara, conforme seu diretor financeiro, é expandir, no conhecimento empresarial dos demais países da América Latina, informações sobre o potencial de desenvolvimento do Ceará. Hermes Monteiro, diretor financeiro da entidade, afirma que "muitos empresários ainda acham que o Brasil se encerra em São Paulo".

Ele pontua que a Câmara atuará com a divulgação de dados que comprovem que as possibilidades de expansão da economia do Ceará são mais sólidas do que dos demais estados do País. "Atuaremos para que haja a quebra das barreiras, quer seja de conhecimento, de cultura. E assim, quando aproximamos os povos, aproximamos comércio, aproximamos turismo, aproximamos realmente todas as possibilidades de desenvolvimento". 

O fortalecimento de rotas turísticas entre Argentina e o Ceará, bem como, ser um amparo para investimento conjunto de empresas cearenses e argentinas, em outros estados do Brasil, ou mesmo em outros países. A criação de projetos sociais, culturais, bem como a realização de feiras e exposições para captação de novos investidores para ambos as localidades também estão previstas como responsabilidade da Câmara.

Projeto antigo

As iniciativas para consolidação da Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil Argentina instalada no Ceará (CBACE) tiveram início ainda no ano de 2017 e, entre fatores externos, também teve as tratativas suspensas em virtude da pandemia. Com o retorno das negociações, e amplo apoio do consulado argentino, espera-se que as fases finais do registro jurídico da entidade se encerrem em dois meses

O corpo de diretores eleitos terá gestão inicial de quatro meses, podendo ter gestão prorrogada por igual período para que sejam consolidada o registro da Câmara nos órgãos competentes e sejam firmados os primeiros associados. As regras e critérios para associação ainda estão sendo definidas e serão publicadas até janeiro de 2021. Mas a entidade destaca que quatro empresas já manifestaram interesse em se associar

Entre as entidades que atuam diretamente no apoio e na articulação para criação da Câmara estão:  Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), que irão sediar e patrocinar a infraestrutura inicial da entidade, Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), com foco em perspectivas de modelos futuros de negócios. 

Outros órgão como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), e o Completo Industrial e Portuário do Pecém, atuam por meio de parcerias com foco no desenvolvimento mútuo. 

São objetivos da Câmara:

  • Promover e incentivar o desenvolvimento das relações comerciais, econômicas e sociais, bem como o intercâmbio tecnológico, cultural e turístico entre Argentina e o Estado do Ceará;
  • Defender, de forma presente, os interesses de seus associados e das empresas que os mesmos representem;
  • Pesquisar e desenvolver as complementaridades naturais das empresas argentinas e cearenses, em especial das pequenas e médias empresas, incentivando a competitividade dos negócios conjuntos;
  • Incentivar a estruturação de negócios triangulares, envolvendo empresas cearenses e argentinas, que se interessem por mercados de terceiros países;
  • Desenvolver outras ações destinadas a ampliar e reforçar as relações econômicas e empresariais entre o Ceará e Argentina, como rodas de negócios, missões comerciais e participação em feiras setoriais;
  • Intervir em vistorias ou, como mediadora ou árbitro, em pendências que lhe sejam submetida;
  • Promover e patrocinar seminários, fóruns e estudos setoriais, missões empresariais, cursos, palestras, simpósios e conferências relacionados ao seu objetivo social;
  • Promover proposições legislativas que impulsionem a relação bilateral entre as empresas argentinas e cearenses
  • Celebrar termos de parceria e outros acordos com o Poder Público, entidades privadas e organismos internacionais;

Comércio com argentinos

Atrás dos Estados Unidos e China, a Argentina é o terceiro em parceria com o Ceará em termos de corrente de comércio (soma das importações e exportações). De janeiro a julho deste ano, 2,9% das exportações cearenses (cerca de US$ 40,6 milhões) foram para o país.

No sentido inverso, 7,6% (cerca de US$ 132 milhões) das compras internacionais do Ceará foram provenientes da Argentina. Destacam-se dentre os produtos os calçados, em que o Estado é um dos maiores fornecedores para a Argentina, o segundo para o mundo.

Já do país argentino, compramos, sobretudo, cereais, devido ao expressivo polo industrial de panificação, confeitaria e massas. Esse produto é o segundo principal item adquirido pelo Ceará ao mundo.

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