Economia

Em um ano, preço médio do gás de cozinha subiu 29,7% no Ceará

Escalada de preços| Na semana encerrada no último dia 21, o preço médio do botijão de 13 kg era de R$ 98,14 no Ceará. Bem acima dos R$ 75,63 de agosto de 2020. Segundo a ANP, a máxima de R$ 110, no Ceará, é a maior do Nordeste
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Com o novo parque de tancagem, em Pernambuco, vai abastecer toda região Nordeste com gás de cozinha  (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil Com o novo parque de tancagem, em Pernambuco, vai abastecer toda região Nordeste com gás de cozinha

O preço médio do gás de cozinha voltou a subir no Ceará. Na semana encerrada no último dia 21, o botijão de 13 kg do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) estava sendo comercializado no Estado, em média, a R$ 98,14, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). São 31 centavos a mais em relação à semana imediatamente anterior, mas 29,7% mais caro do que há um ano (R$ 75,63). O valor máximo encontrado para o produto no Ceará permanece estável desde julho, mas em um patamar elevado, de R$ 110, o maior teto no Nordeste.

 

De acordo com levantamento da ANP, na Região, apenas os piauienses e potiguares pagam tão caro quanto os cearenses pelo gás de cozinha. Sendo que no Rio Grande do Norte a máxima de R$ 110 para o produto foi alcançada apenas na última semana. Antes era R$ 105. Dentre os estados nordestinos, quem tem o menor valor para a máxima são Alagoas e Sergipe (R$ 95).

Dos 11 municípios cearenses que servem de base para pesquisa da ANP, em sete o preço do GLP já ultrapassa R$ 100. Apenas Quixadá, Itapipoca, Iguatu e Canindé ainda não atingiram a máxima, mas estão próximos disso.  

No Ceará, o preço mais barato do botijão de gás é R$ 82. Mesmo patamar das últimas quatro semanas, mas R$ 3 acima da média de julho (R$ 79). Na semana entre os dias 15 e 21 de agosto, o menor valor encontrado para o GLP no Nordeste é o da Bahia (R$ 77,99), conforme levantamento da ANP.

Na avaliação do engenheiro de petróleo, Ricardo Pinheiro Ribeiro, diretor da RPR Engenharia, embora a frequência dos reajustes tenha passado a ser mais espaçada na gestão do general Joaquim Silva e Luna à frente da Petrobras, é inegável o impacto que a política de preços para o produto, que acompanha cotação no mercado internacional, têm tido sobre a renda do consumidor, sobretudo, o de mais baixa renda.

+ Gás de cozinha e energia puxam prévia da inflação na Grande Fortaleza

Em 2021, já foram seis reajustes no preço do GLP praticado pela Petrobras nas refinarias, com alta acumulada de 37,8%. O percentual é mais de sete vezes a variação acumulada no ano do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que mede a inflação para as famílias de até cinco salários mínimos, que acumula alta de 5,01%, segundo dados do IBGE.

Ricardo explica que no caso do GLP, a situação é ainda mais grave do que em relação a outros combustíveis, porque o Brasil nunca foi autossuficiente na produção do gás butano. O que faz com que os preços internacionais sejam extremamente definidores dos preços praticados no mercado doméstico. Aliado a isso, pesa também o enfraquecimento da moeda brasileira frente ao dólar.

Na prática, esses dois fatores tem corroído o poder de compra dos trabalhadores. “Hoje o preço médio do gás de cozinha é quase 10% do salário mínimo. Ou seja, um peso grande para a maioria dos trabalhadores e é preciso considerar que no Ceará, na maioria das vezes, a renda dos informais não chegam nem ao mínimo. Para os mais pobres, junto com os alimentos, que também estão subindo muito de preço, o gás de cozinha é o que mais pesa”.

Ele lembra que a consequência mais perversa disso é que cada vez mais a população mais pobre tem escolhido alimentos de menor valor nutricional, consumindo, por exemplo, mais "miojo", do que arroz e feijão, ou mesmo se expondo mais aos riscos. “Esta questão do alto preço do GLP, associado à queda de renda das classes C, D e E, que são as mais sensíveis aos aumentos de insumos básicos, vemos o preocupante retorno de famílias economicamente mais frágeis ao consumo de lenha e outros combustíveis não adequados ao uso urbano”.

Quer entender o preço e o mercado do gás de cozinha? Live Economia na Real aborda a questão

Saiba como economizar gás de cozinha com dicas simples:

Forno quente

Pré-aqueça o forno pelo tempo necessário: Alimentos assados precisam de pré-aquecimento do forno, mas não faça isso por muito tempo. Geralmente, 10 minutos antes a 200 °C é suficiente para a temperatura ficar ideal em boa parte dos alimentos.

Panela certa para cada boca

Use panelas proporcionais à boca do fogão: Para não ter desperdício de gás, é importante que se utilize panela equivalente ao tamanho da boca do fogão, pois parte do calor gerado acaba não sendo passado para a panela.

Use vapor

Quando estiver cozinhando, é possível utilizar o vapor do preparo colocando um escorredeira metálica sobre a panela para cozinhar legumes.

Tampe as panelas

Use a tampa da panela: Alimentos como macarrão pode ser cozinhados com o fogo desligado ao usar a tampa. Deixe a água ferver, adicione a massa, desligue o fogo e coloque a tampa.

Longe de portas e janelas

Evite colocar o fogão em locais da casa que tenham muita circulação de vento, como janelas, portas e ventiladores, pois assim as chamas não apagam e o
gás não escapa.

Pequenos pedaços

Alimentos cortados em partes pequenas cozinham mais rápido, com isso, o gás é menos utilizado.

Gás acabando?

Fique atento aos sinais de quando o gás estiver acabando: Quando o botijão está perto de acabar, as chamas ficam com as pontas avermelhadas.

Use panela de pressão

O uso da panela de pressão reduz os gastos com o gás. A pressão faz os alimentos cozinharem mais rápido, sem precisar ficar por tempo demasiado na panela.

Cuide das bocas do fogão

Limpe as bocas do fogão sempre após o uso do eletrodoméstico, assim, evitando o acúmulo de sujeira e de gordura. Com esse cuidado, evita-se o entupimento do bico por onde o gás sai. Tal entupimento pode provocar o vazamento e perdas.

Cozinhe poucas vezes

Cozinhar menos vezes durante o mês traz economia. Para isso cozinhe uma vez os alimentos e congele. Depois, a partir da necessidade, é só esquentar de acordo com a sua preferência (no micro-ondas, no forno elétrico, ou de forma rápida no fogão por meio de panelas pequenas)..

Fontes: Chama app/Atlas

 

Preços do GLP no Nordeste

Alagoas

Preço Médio - R$ 90,32

Mínima - R$ 80,00

Máxima - R$ 95,00

Bahia

Preço Médio - R$ 86,35

Mínima - R$ 77,99

Máxima - R$ 101,00

Ceará

Preço Médio - R$ 98,14

Mínima - R$ 82,00

Máxima - R$ 110,00

Maranhão

Preço Médio - R$ 94,65

Mínima - R$ 90,00

Máxima - R$ 96,99

Paraíba

Preço Médio - R$ 93,51

Mínima - R$ 79,99

Máxima - R$ 105,00

Pernambuco

Preço Médio - R$ 86,24

Mínima - R$ 75,00

Máxima - R$ 100,00

Piauí

Preço Médio - R$ 98,29

Mínima - R$ 93,00

Máxima - R$ 110,00

Rio Grande do Norte

Preço Médio - R$ 98,69

Mínima - R$ 89,00

Máxima - R$ 110,00

 

Sergipe

Preço Médio - R$ 89,38

Mínima - R$ 83,00

Máxima - R$ 95,00

 Fonte: ANP

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais