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Empresas devem melhorar gestão para enfrentar inflação em 'pior momento'

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Alta expressiva do dólar e relação de paridade cambial das commodities é apontada como um dos principais fatores para aumento da inflação dos alimentos  (Foto: Reuters)
Foto: Reuters Alta expressiva do dólar e relação de paridade cambial das commodities é apontada como um dos principais fatores para aumento da inflação dos alimentos

Para o diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Ceará, Alci Porto, "a inflação chega num momento muito inoportuno para o setor produtivo como um todo, em processo de recuperação da economia, com muitas empresas desses segmentos mais impactados tendo que pagar empréstimos contraídos e com a queda no consumo pela perda de renda das famílias".

Ele defende que o Governo Federal tome medidas para que esse processo de escalada do preço dos alimentos não se acentue. "Na verdade, não há justificativa para essa elevação tão forte da inflação porque não há tanta retração da produção. Não há um motivo a não ser esse momento de instabilidade política que estamos passando e essa falta de definição do Ministério da Economia em agir contra os principais atores dessa inflação", avalia.

"O principal deles é o aumento exorbitante do dólar, com essa relação de paridade cambial com as commodities, que é um risco muito grande", adverte Alci Porto, que cita também o impacto que a crise hídrica e energética deve desempenhar para a manutenção do quadro inflacionário. "Esse conjunto de fatores leva, de fato, a um comprometimento do crescimento do País", observa.

Apesar do quadro desfavorável, o diretor técnico do Sebrae afirma que empresários que atuem nos segmentos mais afetados pela inflação dos alimentos podem tomar atitudes para minimizar seus efeitos. "O primeiro ponto que nós orientamos é dominar sua gestão financeira. Quem não fizer isso terá muito mais dificuldade para atravessar essa crise", aconselha.

"Outro ponto que nós colocamos é que no momento em que as compras se tornam mais difíceis, em função dos preços e das condições dos fornecedores, devem ser formadas o que nós chamamos centrais de negócios, nas quais os empresários de um mesmo segmento se juntam para fixar uma estratégia integrada de relacionamento com o mercado", explica.

Alci Porto complementa exemplificando que isso pode ser feito quando mercadinhos ou restaurantes de um mesmo bairro se juntam para comprar de forma conjunta. "Isso pode reduzir em até 30% o custo de aquisição e fazer um pouco de frente a essas linhas de aumento de preços", conclui.

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