Economia

Com mais 4 memorandos, Ceará soma 10 parcerias em hidrogênio verde assinadas

| Energia | Eneva, Diferencial, Hytron e H2Hellium foram as últimas empresas a selarem acordo com o Estado para o hub planejado no Pecém
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Usinas de hidrogênio verde devem ser instaladas na ZPE do Ceará, próximas ao Porto do Pecém (Foto: Divulgaçao)
Foto: Divulgaçao Usinas de hidrogênio verde devem ser instaladas na ZPE do Ceará, próximas ao Porto do Pecém

Do total de 16 projetos de hidrogênio verde em negociação, o Ceará completou dez memorandos de entendimento assinados ontem, 13, quando o governador Camilo Santana recebeu representantes das empresas Eneva, Diferencial, Hytron e H2Hellium. Em transmissão no Palácio da Abolição, sede do governo, ele assinou os documentos em companhia de secretários de Estados e os parceiros no hub, Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e Universidade Federal do Ceará (UFC).

Os detalhes dos projetos assinados pelas empresas, como valores a serem investidos e capacidades de produção, não foram revelados. Além das quatro, o Ceará já conta com documentos assinados com EDP, Qair, Fortescue, White Martins, Enegix Energy e Neoenergeia.

Na semana passada, o secretário Maia Júnior (Desenvolvimento Econômico e Trabalho) havia contabilizado os 16 projetos com os quais o Estado do Ceará negociava, prevendo a assinatura de novos memorandos até hoje, 14 de outubro. Agora, faltam seis evoluírem e resultarem em mais memorandos.

As usinas de produção do hidrogênio verde a partir da hidrólise com energia de parques eólicos e solares devem ser instaladas próximas ao Porto do Pecém, em uma área destinada a elas na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante.

Presentes à live de ontem, estiveram os secretários do Desenvolvimento Econômico Trabalho (Sedet), Maia Junior; da secretária executiva da Indústria da Sedet, Roseane Medeiros; do secretário da Infraestrutura, Lúcio Gomes; dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira; do Meio Ambiente, Artur Bruno; do secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda; e do presidente do Complexo do Pecém, Danilo Serpa, além do Reitor da UFC, Cândido Albuquerque, e do presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante.

Papel e próximo passo

A quantidade de nomes nos documentos assinados pelos representantes do Estado e do governo ainda rendeu um comentário do governador: "Será possível que depois de tanta assinatura esses projetos não saiam", brincou.

O governador ainda destacou o papel do Estado "de dar uma grande contribuição ambiental para o planeta e ainda gerar oportunidades de trabalho e empregos pros cearenses, melhorando assim a economia do nosso estado".

Sobre os próximos passos, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho afirmou ainda na semana passada que o foco é justamente viabilizar a instalação de todos os projetos já acordados. Para isso, deve atuar "criando as condições para que possam licenciar as obras, conectar esses projetos de energia com as usinas e estruturar toda a engenharia para implantar, se possível, a maioria desses projetos".

Competitividade constatada

Nos primeiros dias de outubro, representantes do governo cearense e dos parceiros, Fiec e UFC, estiveram visitando uma unidade de pesquisa e geração de hidrogênio verde na Espanha, da Iberdrola, controladora da Neoenergia - que já possui memorando assinado com o Ceará. Na viagem, eles visitaram as obras de uma usina de hidrogênio verde, um eletrolisador com uso da energia solar.

"Isso nos deu muitas informações para trabalhar nos nossos projetos. Cada vez mais a gente mira e percebe as vantagens competitivas nesse mercado. O Ceará está começando num momento em que é possível aproveitar essas grandes vantagens competitivas", destaca Joaquim Rolim, coordenador do Núcleo de Energia da Fiec.

 

Empresas com memorando assinados com o Ceará

EDP

A empresa portuguesa, que já possui uma térmica em operação no Ceará, confirmou a instalação do projeto piloto para implantação de uma usina de hidrogênio verde no Pecém, com capacidade de produção de 250 Nm3/h do gás e 3 MW, a partir de um módulo eletrolisador de última geração. Sua operação deve ser iniciada já em dezembro de 2022, atraindo um total de R$ 41,9 milhões de investimento.

Qair

Qair Brasil, de origem francesa, desenvolve planta de produção de hidrogênio verde com energia elétrica gerada através do Complexo Eólico Marítimo Dragão do Mar e de um parque de energia eólica offshore (dentro do mar). O investimento total previsto é de US$ 6,95 bilhões, com geração de 2 mil empregos durante a construção das plantas, e 600 empregos diretos quando da plena operação dos projetos.
Com isso, a empresa multinacional com sede no Ceará está envolvida no
projeto que, a partir de 2023, produzirá, armazenará, transportará e comercializará
o hidrogênio verde.

Fortescue

Fortescue Future Industries Pty Ltd (FFI) planeja investimento de U$ 6 bilhões na usina de hidrogênio verde que será instalada no Complexo do Pecém, com expectativa de gerar 2.500 postos de trabalho durante a sua instalação, e cerca de 800 empregos quando a empresa estiver em operação, a partir de 2025.

White Martins

A empresa mira as potencialidades da produção local, voltada prioritariamente à exportação para a Europa. Com a assinatura do memorando, o Complexo do Pecém prestará o suporte para mapear novas oportunidades de negócios para a produção e o fornecimento de Hidrogênio pela White Martins.

Eneva

Proprietária de térmicas no Ceará, Eneva tem modelo de negócio centrado no Reservoir-to-Wire (R2W), que consiste na geração térmica integrada aos campos produtores de gás natural. Atua também no Mercado Livre de Energia e Gás Natural. Empresa conta com 2,2 GW de capacidade instalada, 8,4 milhões de m³ de fás natural por dia e é responsável por 9% da geração térmica a gás do País. A Eneva está listada no Novo Mercado da B3 (Bolsa de Valores brasileira) desde 2007.

Diferencial Energia

Fundada em 2005, a empresa trabalha no desenvolvimento de projetos e como comercializadora. No primeiro nicho, atua em geração, implementação e operação. Já no segundo, compra e venda de energia; elabora e executa estratégias de contratação de energia; desenha estruturas de mitigação de riscos; e customiza produtos.

Hytron

A Hytron foi constituída no ano de 2003, como uma spin-off da Universidade Estadual de Campinas e uma das primeiras empresas brasileiras a trabalhar com sistemas fotovoltaicos e sistemas de produção e uso energético do hidrogênio. Hoje, faz parte do grupo Neuman&Esser de origem alemã. Atua desenvolvendo soluções para projetos de engenharia, protótipos e cabeças de série, serviços de supervisão, automação, integração e comissionamento de sistemas.

H2helium Energia

Com sede no Rio de Janeiro, a empresa trabalha no desenvolvimento de soluções técnicas, econômicas e sociais ambientalmente viáveis em projetos de energia limpa, dentre eles o hidrogênio verde.

Enegix Energy

Com bases em Cingapura, Austrália e Brasil, a Enegix atua na implantação e gerenciamento de redes de energia elétrica em escala de utilidade movidas a hidrogênio. No Ceará, a empresa planeja o Base One, que busca, em três anos, produzir hidrogênio verde suficiente para abastecer a vida de mais de 200 milhões de pessoas em economias em desenvolvimento, sem emitir carbono.

Neoenergeia

Controlada pelo grupo espanhol Hiberdrola, a Neoenergia tem presença em 18 estados e no Distrito Federal, onde atua em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. São 15,6 milhões de clientes em distribuição e 4GW de capacidade instalada. No Ceará, assinou memorando para um projeto de transporte público a partir do hidrogênio verde.

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