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Economia

IPCA em Fortaleza continua disparada e passa dos 10% em 2021

No Brasil, apesar de queda mensal, inflação de novembro foi a maior em seis anos para o mês. Em Fortaleza, custos com combustíveis, vestuário e energia elétrica são os vilões para os cearenses
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Em doze meses, gasolina tem alta acumulada de 51,20% (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Em doze meses, gasolina tem alta acumulada de 51,20%

A inflação na região metropolitana de Fortaleza (RMF) segue em disparada e, em novembro, subiu mais 1,06%. Foi a segunda maior alta do Nordeste, atrás apenas de Salvador (1,42%). No acumulado do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 10,03%, acima da média nacional (9,26%), conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A pesquisa revelou ainda que, das 16 regiões monitoradas, a RMF está entre as três únicas do País em que o IPCA de novembro ficou acima daquele registrado em outubro (0,96%). O que mostra que não há sequer uma tendência de desaceleração desses números.

É um cenário mais grave do que a média nacional. No Brasil, embora a inflação de novembro tenha ficado em 0,95% - o pior resultado para o mês em seis anos-, o dado ainda é 0,3 ponto percentual (p.p.) abaixo do que aquele registrado no mês imediatamente anterior (1,25%).

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Em Fortaleza, dentre os vilões da inflação de novembro, estão os gastos com transportes (4,42%), vestuário (1,2%) e habitação (1,01%).

No caso dos transportes, a alta foi influenciada pelos preços dos combustíveis, principalmente, da gasolina (10,40%), que teve, mais uma vez, o maior impacto individual no índice do mês (0,68 p.p.). Aumento também nos preços do óleo diesel (9,75%) e do gás veicular (7,38%). Com o resultado de novembro, a gasolina acumula, em 12 meses, alta de 51,20%, e o diesel, 50,05%.

Já no vestuário, as roupas infantis tiveram maior peso no resultado de novembro, chegando a 2,05%. Enquanto no grupo habitação, o item definidor para a alta foi o aluguel e as taxas (1,52%).

No mês, dos nove grupos investigados pelo IBGE, apenas três tiveram recuo: saúde e cuidados pessoais (1,32%), educação (-0,04%) e comunicação (-0,68%).

Para o economista da V8 Capital, Gilberto Barbosa, os três segmentos que puxaram o resultado cearense para cima, já vêm pressionando o índice durante o ano inteiro. É o caso dos combustíveis, que afeta os custos de toda cadeia de transportes. Ou da energia elétrica, na habitação. Já a disparada de preços no vestuário está relacionada à demanda do comércio, que aumenta neste período. E, num período de inflação elevada, os preços acompanham esse movimento.

"No vestuário, é muito por conta dos repasses de preços que vêm da indústria, passam pelo comércio e chegam ao consumidor", destaca. Sobre as perspectivas para os preços dos combustíveis, a tendência é de estabilização. "O petróleo subiu muito de preço esse ano e afetou os preços em todo mundo. Mas o que temos visto nos últimos três meses é o preço do petróleo começando a cair. O mercado veio ajustando o preço do barril e agora já vemos cotado próximo dos US$ 70, bem abaixo do pico de US$ 90 visto neste ano".

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, também foi divulgado pelo IBGE ontem. O resultado de novembro revela taxa de 0,84%, abaixo dos observados em outubro deste ano (1,16%) e novembro do ano passado (0,95%). Apesar do recuo, o INPC acumulado no ano (9,36%) e em 12 meses (10,96%) ficou acima daqueles registrados pelo IPCA: 9,26% no ano e 10,74% em 12 meses.

O economista PhD em Desenvolvimento Regional e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Lauro Chaves Neto, destaca que esse movimento inflacionário em 2021 se deveu ao processo de desestruturação das cadeias produtivas, a questão cambial, ao preço do petróleo e das commodities. Esses fatores combinados têm gerado efeitos sociais negativos, principalmente num momento econômico adverso.

"Isso traz como grandes efeitos o encarecimento da cesta básica no cenário de muito desemprego que temos na economia brasileira. Além do aumento da taxa de juros que encarece o crédito, atrasa investimentos", destaca Lauro.

A previsão para o próximo ano, porém, é de retração gradual dos índices inflacionários, acredita o economista. Segundo ele, essa queda da inflação em 2022 ainda não deve ser no patamar ideal, tanto que as expectativas é de que fechem o próximo ano fora do centro da meta, entre 6% e 7% no acumulado. "Precisamos ser rigorosos no combate à inflação, pois pode desestruturar todo processo que pode organizar e nos trazer um novo ciclo de desenvolvimento econômico".

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INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, em Fortaleza, ficou em 0,99% em novembro

 

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