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Economia

Mais de 5 mil negócios foram fechados durante a pandemia, estimam setores

| "QUEBRADEIRA" | Desde o início da pandemia, 1.040 mil lojas do Centro, mais de 3,5 mil bares e restaurantes e 900 academias fecharam as portas desde o início da pandemia
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 No Centro de Fortaleza se tornou comum ver lojas fechadas com placas de
Foto: FABIO LIMA  No Centro de Fortaleza se tornou comum ver lojas fechadas com placas de "Aluga-se" em meio à crise causada pela pandemia.

Passados quase dois anos do início da pandemia do novo coronavírus, os impactos nos setores continuam a ser somados. Estimativas dos setores econômicos apontam para um fechamento de 1.040 mil lojas do Centro de Fortaleza, mais de 3,5 mil bares e restaurantes e 900 academias fechadas em Fortaleza. O somatório passa de 5 mil falências. Ainda assim, muitos novos negócios foram iniciados no período, principalmente, por microempreendedores individuais. Tanto é que, em 2021, apesar das perdas, o saldo encerrou positivo em 15%, segundo a Junta Comercial do Ceará (Jucec). 

Indo além do recorte da Capital, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel) estima que ocorreram em todo Estado mais de 10 mil falências e mais de 60 mil postos de trabalho foram fechados desde o início da pandemia.

Para o presidente da Abrasel, Taiene Righetto, a pandemia representou o pior período da história, pois parecia uma crise sem fim. Os efeitos disso devem perdurar, mesmo em quem já declarou falência e nem exerce mais a atividade, estima ele.

Isso porque como a maioria dos negócios era de pequeno porte e familiar, muitos não separavam o que era capital de giro de orçamento familiar, contraindo dívidas. "Para nós, foi o pior período da história, principalmente por 94% serem pequenos negócios. E pior, as pessoas se endividaram pelo resto da vida, comprometeram o orçamento da família. Isso é muito sério, ainda acreditamos que devem vir ainda os efeitos da pandemia de dívidas e de recursos trabalhistas", avalia.

No Centro de Fortaleza, é notório observar o aumento de lojas fechadas com anúncio de disponível para aluguel. O presidente da CDL Fortaleza, Assis Cavalcante destaca que o fechamento das lojas impactou sobremaneira os setores de comércio e serviços. Agora, até o número de passantes no Centro diminuiu e Assis cobra ações do poder público para que o principal corredor comercial da Cidade seja reanimado.

"Antes da pandemia, a gente tinha em torno de 350 mil pessoas circulando diariamente no Centro todos os dias, agora temos 190 mil pessoas. O fato interessante é que esses remanescentes estão comprando, antes havia demanda de pessoas que vinham ao Centro para estudar nos colégios e faculdades ou mesmo só passear", observa.

Assis diz que ações promocionais têm sido a tática para fazer com que o público volte. Iniciativas como o Natal de Prêmios, em dezembro, e a realização do Centro Premiado, em abril, são apostas. "Estamos tentando reanimar o Centro de Fortaleza, tivemos a reinauguração da Praça da Criança, que, funcionando na plenitude, deve atrair pessoas. As lojas que saíram do Centro, muitas sucumbiram ou desistiram de ser empresários. Mas a CDL tem feito ações para trazer a chama de esperança novamente para que tenhamos a movimentação de outrora", completa.

No caso das academias, o retorno do público é esperado e até incentivado por questões de saúde. Sasha Reeves, diretora do Sindicato das Empresas de Condicionamento Físico do Estado do Ceará (Sindifit-CE), destaca que a pandemia pressionou bastante o setor financeiramente e pelo menos 30% das mais de 3 mil academias que estavam em funcionamento fecharam.

"É um momento de atenção ao caixa da empresa, porque infelizmente o ano começou com desafios. O período que seria bem positivo, deu uma freada. Os estabelecimentos precisaram fazer malabarismos para se sustentar", afirma. Sasha ainda defende a essencialidade das academias como contribuintes para boa saúde das pessoas, na prevenção de doenças e comorbidades, aumentando a imunidade.

Apesar do cenário, novos negócios estão surgindo

Em meio às avaliações do quão desafiadores foram os dois últimos anos, dados da Junta Comercial do Ceará (JCCE) revelam que houve aumento de 15% no saldo de empresas abertas em 2021, com abertura de 71.225 empresas a mais do que fechamentos. A maioria (83%) das aberturas foram registradas como Microempreendedor Individual (MEI).

O setor de alimentação fora do lar já sentiu esse efeito. Taiene Righetto diz que tem observado a entrada de novos empreendedores no setor. "Diria que os bares e restaurantes devem fazer muita diferença nesta retomada na geração de empregos, absorvendo muito bem mão de obra diversificada".

VAGAS DE EMPREGO

Apesar do cenário, a perspectiva é positiva para este ano. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine-IDT), a projeção é de captação de 69 mil novas vagas.

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