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Índia manterá exportação de trigo a países com déficit alimentar
Economia

Índia manterá exportação de trigo a países com déficit alimentar

| IMPACTO | Produtores brasileiros devem se beneficiar da alta na cotação, mas elevação pode afetar massas e até carne
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No Brasil, exportação de trigo já gera superávit (Foto: CNA/ Wenderson Araujo/Trlux)
Foto: CNA/ Wenderson Araujo/Trlux No Brasil, exportação de trigo já gera superávit

O secretário de Comércio da Índia, B.V R. Subrahmanyam, disse a repórteres ontem, 15, que o governo manterá uma janela aberta para exportar trigo para países com déficit alimentar, apesar das restrições anunciadas dois dias antes. O país também permitirá que empresas privadas cumpram compromissos anteriores de exportar quase 4,3 milhões de toneladas de trigo até julho.

A Índia exportou 1 milhão de toneladas de trigo em abril e tem a segunda maior produção do mundo, atrás apenas da China. Um aviso no diário do governo da Diretoria de Comércio Exterior disse na última sexta-feira, 13, que um aumento nos preços globais do trigo estava ameaçando a segurança alimentar da Índia e de países vizinhos e vulneráveis.

Um dos principais objetivos das restrições às exportações é controlar o aumento dos preços domésticos. Os preços globais do trigo subiram mais de 40% desde o início do ano.

Antes da guerra, a Ucrânia e a Rússia representavam um terço das exportações globais de trigo e cevada. Desde a invasão da Rússia, os portos da Ucrânia foram bloqueados e a infraestrutura civil e os silos de grãos foram destruídos.

Ao mesmo tempo, a própria colheita de trigo da Índia sofreu com uma onda de calor recorde. O secretário disse que a produção de trigo da Índia este ano caiu três milhões de toneladas em relação a 106 milhões de toneladas no ano passado.

Os preços do trigo subiram de 20 a 40% na Índia. "O atual aumento dos preços parece ser uma reação de pânico, e não uma reação baseada em um colapso genuíno na oferta ou um repentino aumento da demanda", disse Subrahmanyam.

A decisão da Índia foi criticada pelos ministros de agricultura do G7, que consideraram a medida um agravante à crise de provisionamento mundial de cereais provocada pela invasão da Rússia na Ucrânia.

No Brasil, a expectativa inicial é que o aumento dos preços beneficie os exportadores de trigo do País. Em 2022, as exportações de trigo geraram superávit: foram US$ 246,3 exportados (836,6 mil toneladas) e US$ 141,58 milhões importados (498,8 mil toneladas). Mas o mercado local não é autossuficiente e aumento na cotação do cereal deve impactar em massas e até no preço da carne, se mantida a decisão pela Índia. (Agência Estado)

Contexto

Sem a produção do Mar Negro, de Ucrânia e Rússia, o mundo perdeu 1/3 das exportações de trigo e cevada, o que gerou uma crise de abastecimento

 

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