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Economia

Com a compra da Extrafarma, Pague Menos será 2ª maior rede de farmácias do Brasil

Aquisições| A transação foi aprovada ontem pelo Cade com restrições que incluem o desinvestimento de oito unidades em cidades do Nordeste
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COMPRA da Extrafarma é estimada em R$ 700 milhões (Foto: Thais Mesquita)
Foto: Thais Mesquita COMPRA da Extrafarma é estimada em R$ 700 milhões

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem, com restrições, a compra da Extrafarma, da Ultrapar, pela Pague Menos. Com o investimento, estimado em R$ 700 milhões, a Pague Menos passa a ocupar o 2° lugar no setor de farmácias no país. Ficará atrás apenas da Drogasil.

Uma farmácia em cada esquina?

Hoje, a rede de farmácias cearense é a terceira colocada, com 1.169 lojas, em todas as unidades federativas e mais de 20 mil colaboradores.

Com a aquisição, ultrapassará a a rede Drogaria São Paulo e Pacheco (DPSP), e passará a ter aproximadamente 1.600 filiais e R$ 10 bilhões em vendas.

“A transação acelera em três anos nosso plano de expansão. Paralelamente, seguiremos com o plano de expansão orgânica”, afirma Mário Queirós, CEO da Pague Menos.

O que muda com a compra da Extrafarma? 

Ontem, a transação foi aprovada por unanimidade, mas foram impostas condições para conclusão do processo que incluem o desinvestimento de oito lojas em cidades com menos de 200 mil habitantes no Nordeste.

No Ceará, devem ser vendidas unidades em Russas, Canindé, Limoeiro do Norte, Aracati e Horizonte. O Acordo em Controle de Concentrações (ACC) prevê também a venda de lojas em Chapadinha e Codó, no Maranhão, e em Caicó, no Rio Grande do Norte.

Em comunicado ao mercado, a Pague Menos informou que o plano de desinvestimento representa menos de 3% das lojas adquiridas. O contrato vinculante para a venda dessas lojas já foi apresentado ao Cade, que aceitou o comprador indicado.

De acordo com o relator do processo, Gustavo Augusto Freitas de Lima, a venda dos ativos está sendo firmada com a Rede Bruno Farma e deve ser concluída em até 180 dias. Somente após a venda dessas lojas para uma empresa com capacidade de competição, a operação poderá ser concluída.

Ele destacou ontem que a medida é necessária por conta da concentração excessiva gerada pelo negócio nessas localidades.

Cumprida essa etapa, as empresas poderão seguir com o fechamento da transação, pelos termos do ACC, previsto para ocorrer em 1º de agosto de 2022.

Pague Menos projeta até R$ 275 milhões de EBITDA

A operação de compra da Extrafarma pela Pague Menos foi anunciada em maio do ano passado. No último dia 8 de maio, a Superintendência-Geral do Cade emitiu despacho com a recomendação de aprovação da aquisição mediante a celebração de Acordo em Controle de Concentrações (ACC).

A Extrafarma é a sexta maior rede de farmácias do País, com presença em 11 estados e 402 unidades.
De acordo com a Pague Menos, a aquisição da Extrafarma, quando implementada, importará em combinação de ativos com posicionamento de marca, demografia e geografia complementares.

“Ao longo dos últimos meses, avançamos no mapeamento de sinergias e confirmamos nossa expectativa de captura anual de R$180 milhões a R$275 milhões de EBITDA incremental por meio de receita, margem bruta, logística e despesas indiretas”, destaca Luiz Novais, CFO da Pague Menos.

Impacto no mercado

O avanço nas negociações movimentou também o mercado de capitais. Ontem, as ações da Pague Menos na B3 fecharam 4.770 pontos, alta de 2,14%. Já as da Ultrapar, que atua principalmente na distribuição de combustíveis, subiram 3,28%.

Na avaliação do economista Sérgio Melo, a transação além de trazer maior relevância nacional para rede de farmácias cearense, pode dar maior capilaridade logística e de distribuição, e consequentemente, maior eficiência aos resultados.

“Do ponto de vista de negócio, para a Pague Menos esse é um passo muito relevante porque ela passa a ter muito mais força e isso deve espelhar nos resultados por conta da escalabilidade, potencializa ganhos em áreas menos rentáveis, e traz mais eficiência não somente aos centros de distribuição, mas na operação logística, no estoque”.

Quanto à rentabilidade, ele diz que isso vai vir como consequência de eventuais ganhos de eficiência nos próximos passos da companhia. Ele também avalia como naturais e esperadas as restrições impostas para conclusão da operação em razão do tamanho das duas redes no mercado nordestino.

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