A demanda para realização de recursos para projetos no Nordeste é pelo duas vezes superior à oferta de recursos para financiamento disponíveis no Banco do Nordeste (BNB), o banco de desenvolvimento da Região. A avaliação é do diretor de Planejamento da instituição, Bruno Pena, com base em estudos do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene).
"Se tivéssemos pelo menos o dobro, R$ 70 bilhões, seria alentador para atender tantas demandas. Nossa expectativa é alcançar mais R$ 15 bilhões ao longo do ano para ter R$ 50 bilhões e atender a demanda existente", destaca Bruno.
O Etene é responsável por elaborar, promover e difundir estudos, pesquisas e informações socioeconômicas, além de avaliar políticas e programas do Banco do Nordeste. O entendimento sobre o novo momento político é o de que é possível viabilizar parcerias para aumentar o funding do BNB.
E uma parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser o foco principal. Mas a diretoria do BNB já negocia a entrada de recursos externos vindo de organismos internacionais. Exemplo desse tipo de ação são os US$ 300 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Neste momento, Bruno destaca que o setor de serviços continua numa fase crescente pós-pandemia, ainda que não nos mesmos parâmetros dos anos anteriores. Já o agronegócio nordestino demonstra estar mais pujante e requerendo do banco novas fontes de recursos, o que já vem superando a oferta disponível ao setor. A situação é parecida na infraestrutura e energia, por exemplo.
Em 2019, as contratações com recursos do FNE registraram o valor de R$ 29,6 bilhões, distribuídos em quase 566 mil operações. No ano seguinte, em meio à pandemia, as contratações com recursos do FNE registraram o valor de R$ 25,8 bilhões. Em 2021, as contratações com recursos do FNE registraram o valor de R$ 25,8 bilhões.
Sobre 2022, ainda não há dado consolidado sobre o fechamento do ano, mas, segundo o BNB, somente no primeiro semestre, foram aplicados R$ 16,1 bilhões. E o total disponível de FNE para aplicações no ano era previsto em R$ 31,6 bilhões. Mesmo com o crescimento da oferta de recursos por parte do BNB, ainda assim a demanda tem sido superior.
Um dos casos notórios neste movimento de desenvolvimento previsto para a Região nos próximos anos, o caso do hidrogênio verde (H2V) é o mais notório. O novo combustível é a aposta da maioria dos estados do Nordeste, incluindo o Ceará, para impulsionar o desenvolvimento econômico e social e o BNB reconhece que vai precisar de maior capilaridade em recursos para acompanhar o apetite dessa cadeia.
"Esse mundo do hidrogênio verde requer muitos recursos, na casa dos bilhões. O BNB já está promovendo essa discussão, tanto interna quanto externa, de como trazer recursos para atender esse importante setor e acredito que vamos conseguir construir soluções com ajuda do Governo Federal e do setor privado, além de parcerias com organismos internacionais e, principalmente, com o BNDES", pontua.
Recurso
O Banco do Nordeste é o operador exclusivo do FNE e tem no Fundo o principal recurso de cessão de crédito na Região