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Mercadante assume BNDES e fala em rever critérios da Taxa de Longo Prazo
Economia

Mercadante assume BNDES e fala em rever critérios da Taxa de Longo Prazo

| Atuação | Proximidade com micro e pequenas empresas, indústria e países parceiros também foram alvo de declarações
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LULA e Alckimin prestigiaram posse de Mercadante (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Foto: Ricardo Stuckert/PR LULA e Alckimin prestigiaram posse de Mercadante

Na cerimônia de posse na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ontem, Aloizio Mercadante voltou a falar em mudanças na Taxa de Longo Prazo (TLP), que baliza os financiamentos da instituição de fomento. Em vigor desde 2018, a TLP segue as taxas de mercado, diferentemente da TJLP, que vigorou desde 1994 e era definida pelo governo federal.

Segundo Mercadante, eventual mudança na TLP será debatida com o Congresso Nacional. "Não queremos e não estamos reivindicando padrões de subsídio no Orçamento, como no passado", afirmou.

Mercadante voltou a criticar o nível da TLP. Segundo ele, a taxa está acima das verificadas no "custo da dívida pública". "Hoje, a TLP tem custo financeiro acima do custo da dívida. Isso penaliza as pequenas e médias empresas", afirmou.

Além de refutar a possibilidade de voltar a ter subsídios fiscais com os juros mais baixos do BNDES, ele ressaltou que não pretende que o banco de fomento dispute mercado com os bancos privados.

Presente na posse, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o BNDES deverá privilegiar, sob a gestão Aloizio Mercadante, o financiamento de micro e pequenas empresas, ao lado de infraestrutura e exportações. Lula afirmou ainda que nunca deu dinheiro para países amigos de seus governos, e sim financiou operações de empresas brasileiras nesses países.

"Esse banco (BNDES) foi vítima de difamação no último processo eleitoral. Vivemos em um momento em que as narrativas valem mais do que as verdades. O BNDES nunca deu dinheiro para país amigo do governo", disse Lula. "O BNDES financiou serviços de engenharia de empresas brasileiras em nada menos do que 15 países da América Latina e do Caribe", continuou o presidente.

Sobre as empresas que tinham empréstimos com o BNDES, Lula disse que ao fim de seu governo, 480 das 500 maiores empresas do Brasil tinham relações com o Banco em todos os setores da economia.

Mercadante defendeu a atuação do banco como "Eximbank", financiando o comércio exterior. Mercadante, por sua vez, foi cuidadoso ao associar o financiamento ao comércio exterior ao apoio do BNDES à indústria, ou seja, focado nas exportações de bens.

"Uma dimensão estratégica para o desenvolvimento são as exportações. O Brasil é a fazenda do mundo, mas não pode ser só a fazenda. Produtos industriais de alto poder agregado são importantes", afirmou Mercadante, citando os financiamentos à Embraer como um caso de sucesso. "O BNDES deve apoiar o pré-embarque e o pós-embarque das exportações de produtos", completou o novo presidente do BNDES. (Agência Estado)

Lula volta a atacar Banco Central e juros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva renovou ontem as críticas à independência do Banco Central e ao atual nível dos juros. Segundo ele, é "uma vergonha" e não "tem explicação" para o fato de a Selic estar em 13,75% ao ano. Ele exortou ainda o setor empresarial a "reclamar dos juros altos".

As críticas foram feitas no mesmo dia em que o BC divulgou pesquisa mostrando que o mercado não vê espaço para corte da Selic antes de novembro, para fechar o ano em 12,50%. A projeção considerou o tom mais conservador adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC na sua reunião da semana passada.

O colegiado não só sinalizou a manutenção dos juros por um período maior do que o projetado inicialmente, como também não descartou a hipótese de elevação da Selic. Como motivos, citou o risco de outro repique da inflação e a demora do governo em definir uma nova política para os gastos públicos.

Lula citou especificamente a "carta" do Copom, numa referência ao comunicado da decisão da semana passada, para sustentar que não haveria motivos para os juros básicos estarem nos níveis atuais. "É só ver a carta do Copom para ver que é uma vergonha esse aumento (sic) de juros", afirmou Lula, que ironizou ainda os efeitos negativos de suas críticas à política monetária e à independência do BC na Bolsa de Valores e no preço do dólar. "Se eu, que fui eleito, não posso falar, quem pode?" (Agência Estado)

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