A Bolsa de Valores registrou o décimo terceiro dia de queda nesta quinta-feira, 17, ampliando o recorde de dias consecutivos com movimento baixista nos últimos 53 anos. A nova oscilação negativa foi de 0,53%, com o Ibovespa chegando aos 114.982 pontos.
Apesar da sequência histórica, o índice segue acima da média verificada nos últimos 12 meses. O atual patamar, em torno de 115 mil, só foi atingido em dois breves períodos: entre outubro e novembro do ano passado e entre junho e julho deste ano. A série de quedas ocorre poucos dias após os picos de 122 mil pontos, registrados entre os dias 25 e 26 de julho. Na mínima do ano, o Ibovespa chegou a pouco mais de 97 mil pontos, verificados no dia 23 de março.
Para o economista Ricardo Coimbra, que é conselheiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec Brasil), “essas pequenas oscilações para baixo, de forma consecutiva, podem estar muito relacionadas com algumas incertezas no mercado norte-americano, em relação à potencialidade da elevação dos juros por lá e também ao mercado chinês, que ainda está em um processo lento de recuperação”.
Ele acrescenta que no cenário interno, “a questão das aprovações do arcabouço fiscal e da reforma tributária que está meio de stand by, em uma trajetória um pouco lenta. A falta de um cenário mais definitivo não só no ambiente interno como no externo vem gerando essa oscilação de queda, mas não muito acentuada. Você tem casos pontuais, como o apagão, que também não foram tão significativos. Houve algum tipo de mobilidade mais específica sobre a ação da companhia, que foi privatizada no ano passado, mas também não foram grandes oscilações, de um modo geral”.
Entre outros motivos que explicam a sequência de quedas na Bolsa, Coimbra cita ainda que “o varejo está com essa incerteza sobre um ritmo maior de atividade econômica e os setores de mineração e da siderurgia estão muito nessa expectativa do que se possa ter no mercado chinês. Então, é uma junção de mais ou menos tudo isso que vem gerando no mercado, um direcionamento de espera, não só do cenário externo como do cenário interno”.