O preço do óleo diesel deve seguir em trajetória de alta nos postos. Desta vez, em função de mais uma etapa da reoneração do PIS/Cofins que incide sobre o produto.
Estimativa feita pelo Instituto Combustível Legal (ICL) e pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que o combustível ficará, em média, R$ 0,02 mais caro por conta da recomposição das alíquotas.
Esse é o segundo aumento com a retomada dos tributos federais sobre o produto. A previsão é de que a alíquota integral de R$ 0,35 por litro seja cobrada a partir de janeiro de 2024.
Desde 2021, essas taxas sobre o diesel estavam zeradas como medida para reduzir o preço do combustível para o consumidor. Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prorrogou a isenção até 31 de dezembro.
Porém, a retomada da cobrança foi antecipada, no fim do primeiro semestre, para financiar o programa de descontos para carros populares e caminhões do governo federal.
Segundo o analista de petróleo e gás, Bruno Iughetti, a cobrança retomada em setembro, com impacto de R$ 0,11 por litro no preço do produto, implicou repasse de R$ 0,10/litro nas bombas.
Em seus cálculos ele acredita que essa volta escalonada do imposto federal apresente um aumento de R$ 0,03 (R$ 0,01 mais caro do que as entidades calculam).
"A reoneração do diesel certamente produzirá vários impactos negativos tanto para os consumidores como para os setores produtivos com o aumento da inflação já que o diesel é um insumo essencial para toda a cadeia logística.
Na última pesquisa de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada entre 24 a 30 de setembro, no Ceará, a média de preços do diesel S10 encontrada em 111 pontos de venda foi de R$ 6,14. Já o óleo diesel teve médio de preço encontrada de R$ 6,41.
A prévia da inflação de setembro ficou em 0,50% na Região Metropolitana de Fortaleza, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentre os itens que puxam a alta está o diesel, além da gasolina e das passagens aéreas. O índice é o terceiro com a maior alta do País, atrás apenas de Belém (1%) e Brasília (0,87%).
Já o consultor em engenharia de petróleo e energias, Ricardo Pinheiro, acredita que "a economia do Ceará terá pouco efeito, visto que são percentuais pequenos em relação ao preço final." (Com agências)